Algumas palavras sobre liberdade editorial e de comentários
- Por Pedro Burgos
- 10:10 - 28-11-2009
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Sim, apaguei comentários dizendo que o Gizmodo fez um post falando mal de uma empresa porque foi pago pelas outras. Apagar esses comentários não tem nada a ver com liberdade de opinião ou a ausência dela. Falar que os posts têm qualquer tipo de influência de algum anunciante ou empresa é tão "dar opinião" quanto me xingar de FDP ou profissional sem ética. É uma acusação absolutamente gravíssima, sem qualquer fundamento, que me atinge profundamente como jornalista.
Se você diz que um médico defende tal remédio em detrimento de outro, muito melhor, porque ele ganha dinheiro de um laboratório, você está o acusando de não ter ética profissional. Se você diz a um programador que ele deixou buracos no sistema que fez para uma empresa só para cobrar caro para uma consultoria específica no futuro, você está chamando-o de canalha. Há 30 mil exemplos, em todas as áreas possíveis. Em um blog independente de informação, dizer que um post editorial é pago é uma acusação absurdamente séria. Você coloca em xeque todo o conteúdo do site. Pra que você vai ler uma resenha e confiar nela "sabendo" que uma opinião favorável pode ser paga? Não tem fundamento.
A maioria de vocês me conhece apenas pelo nome, então não tem ideia do quanto que eu, como editor-chefe, o Adriano Silva, como publisher, e os nossos sócios prezamos pela liberdade editorial. O Gizmodo fez o nome lá fora como o maior blog de tecnologia do mundo por ter opiniões firmes. Se gostamos de um produto, declaramos nosso amor. Se ele é ruim, deixamos bem claro. Se achamos que uma empresa faz um serviço porco, ou cobra caro pelos seus produtos, nós falamos do mesmo jeito. Com propriedade – testando e pesquisando. Podemos errar ou sermos traídos por preferências pessoais. Mas ter a liberdade de falar o que quiser e não ser obrigado a agradar essa ou aquela empresa, seja por anunciar no Gizmodo ou qualquer motivo, é algo que prezo demais. Não estaria trabalhando aqui caso não tivesse essa liberdade. É simples assim.
Só posso crer que alguém que nos acusa de fazer posts pagos ou não acompanha o blog, ou crê firmemente em teoria da conspiração, ou está mal acostumado com outros blogs. Ou as três coisas. Para quem chegou agora, uma pequena recapitulação de independência.
A Dell nos pagou uma viagem internacional para conhecer a linha de computadores deles, a HP tem um brand channel aqui. Mas eu deixo claro que o melhor netbook, pra mim, é o da Asus. Ganhamos um celular da Nokia, como muitos blogueiros, mas deixamos claro – ao contrário da maioria – nossos problemas em relação ao aparelho. Fui ao Japão a convite da Panasonic e fiz vários posts centrados no país, e não bajulando a empresa. Ganhamos várias cópias do Windows 7, o que não me impediu de fazer um post crítico sobre os preços da empresa. Cobrimos toda a pane da Telefônica e torcemos pela compra da GVT pela Vivendi com toda a independência possível, mesmo ela tendo um brand channel aqui.
Já perdemos anunciantes que não entendem essa lógica, e acham que deveriam ser imunes a críticas duras por anunciarem aqui – estão mal acostumados com outros blogs, onde a opinião pode ser comprada. Mesmo sendo um veículo de comunicação pequeno, queremos ter liberdade editorial de gente grande. Você não vai ver o Willian Bonner, no meio do Jornal Nacional, dizendo no início de uma reportagem: "Isto é uma matéria paga." E começar, ele, a falar bem de uma empresa. Não existe isso. As coisas não se misturam. Você não vai ver eu, o Felipe, o Adriano ou o Kimura fazendo coisa parecida.
Os posts editoriais (diferente dos posts publicitários, bem delimitados com marca da empresa e/ou uma borda verde) não têm qualquer influência de empresa alguma. Somos muito gratos com os anunciantes que estão aqui hoje por entenderem essa independência editorial. É maturidade por parte deles.
Isso não quer dizer que vamos censurar comentários. Quero críticas, quero que vocês continuem apontando erros em nossos posts, que sugiram pautas ou coloquem um contraponto. Mas acusações assim não têm sentido. Acho que apago menos de 0,1% dos comentários, só quando alguém ofende pessoalmente o autor do post ou de outro comentário. Fico orgulhoso das discussões nos comentários do Gizmodo, de verdade.
Mas eu espero, e peço, que não soframos nenhuma acusação de falta independência. Eu sou terminantemente contra a obrigadoriedade do diploma de jornalismo, mas totalmente a favor de mais jornalismo em blogs, mídia impressa ou eletrônica. Jornalismo, de pesquisar, checar dados, tentar ser mais objetivo, separar publicidade de editorial. Isso eu prezo muito. E, como eu falei, machuca meu coraçãozinho de jornalista desses chatos, que foi diretor de Centro Acadêmico e fez um TCC sobre imparcialidade, ser xingado de comprado. É um xingamento terrível.
De volta à programação normal. Isso é um blog de gadgets.









