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Giz Reunions: Eduardo Bicudo, CEO da Wunderman

Por - 20 mar, 2011 - 08:00

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Mesmo quem não tem idade suficiente para lembrar já deve ter ouvido falar de comerciais como o do primeiro sutiã, para a Valisère, ou do Hitler, para a Folha de S.Paulo, dois dos filmes brasileiros mais premiados do mundo e ambos dos anos 80/90. A era de ouro da publicidade brasileira acabou? Obviamente não, como mostram as malas cheias de Leões e outros prêmios que nossos criativos trazem na volta de cada evento internacional. Mas precisa se reinventar – assim como aumentar a conexão entre marcas e seus consumidores. Quem defende isso é Eduardo Bicudo, capitão da Wunderman que levou a operação brasileira da agência da 40ª para a terceira posição mundial, defensor do uso de “todos os meios” para a comunicação com o usuário e nosso mais recente convidado do Giz Reunions.

Os meios de informação estão em todos os lugares

O ex-vendedor por “herança genética”, ex-modelo, ex-faz-tudo em restaurantes na Europa (onde aprendeu a cozinhar) e ex-presidente de pontocom na época da bolha (do provedor gratuito Gratis1) fala com saudade daquela época de ascenção das agências brasileiras. “Eu adorava o que a gente fazia, tinha algo de genial. A gente se perdia em ideias mirabolantes, éramos os mestres das campanhas criativas, emocionantes, gostosas.  Mas acredito que a gente perdeu um pouco a mão, porque o mundo mudou”, diz.

E o que mudou? “O marketing continua sendo feito pelos consumidores, mas a TV não é mais a única vertente possível. O mundo se fragmentou, assim como a atenção do consumidor, e nos perdemos em um mundo em que não basta mais fazer apenas um filme para a televisão ou um anúncio de revista. A família não se reúne mais para ver a novela das 8″ (nota do editor: agora é novela das 9, Bicudo. O mundo mudou mesmo). “É preciso fazer tudo, e fazer tudo é difícil”, acredita.

GizReunions Eduardo Bicudo – Conectar consumidor e marca from Pedro Burgos on Vimeo.

O importante é o diálogo com o consumidor

Para Bicudo, a atual variedade de acesso à informação fez com que muitas agências se posicionassem como digitais – o que, na sua concepção, não basta. “A importância não está na internet. Ele é um meio, não o fim. Porque isso muda constantemente. O que importa é a conexão entre o consumidor e a marca. E a forma que essa conexão se dá muda toda hora”, defende. “O pulo do gato é atingir esse consumidor que consome mídia em diversos canais e formatos”.

À frente de uma empresa com 350 funcionários e cerca de 20 clientes – nomes que vão de Nokia, Dell e Microsoft à Danone, Bradesco, Ford e Diageo –  Eduardo acredita ter encontrado a fórmula ao “tirar o pó” da Wunderman, começando por dar fim ao esquema de contas alinhadas. Hoje, diz ele, a agência é dez vezes maior do que foi, muito mais arrojada e acerta ao oferecer de malas diretas a projetos altamente sofisticados sem “perder de seu DNA” o estabelecimento deste diálogo.

GizReunions Eduardo Bicudo – Conectar consumidor e marca from Pedro Burgos on Vimeo.

E como deve ser a agência do futuro? “Para sermos geniais de novo, precisamos abandonar essa estratégia de canal. E fazer isso é muito mais difícil do que criar um filme capaz de emocionar. A audiência nunca foi passiva, o que não era bom não ficava, mas você ainda pode atuar como influenciador das massas. Mas precisa ser mais transparente, não basta criar produtos com base no que o consumidor deseja.  Seu produto tem de fazer o que você fala que ele faz, não pode criar factóides. E também não acredito em previsões catastróficas, no fim da TV, da revista. A TV, porque ela vai se reinventar com a interatividade, vai dar uma outra dimensão para o que se faz hoje. E tem certas experiências em que nada substitui o papel. Então não adianta pensar que tudo deve estar na internet”.

Comandante da Wunderman pela segunda vez (a primeira foi em 97), Bicudo pode ser old school para algumas coisas – adiou a compra do iPad até o final do ano passado, porque queria estudar como automatizar a casa com ele – e tenta evitar a superxeposição em redes sociais, pois uma certa privacidade “ainda faz sentido para a sua geração”. Mas troca de computador todos os anos e não entende como ainda podem existir à venda carros sem câmera de ré e controles digitais diversos. “Este é um traço pessoal meu: eu sou um consumidor inveterado de gadgets, mas só os adoto quando acho que eles devem ser adotados.”

Brasil, o país do futuro

Como aquele menino que vendia selinhos nacionalistas aos amigos e parentes que foi, Bicudo ainda acredita neste slogan criado há mais de 50 anos. “Nunca recebi tantos gringos aqui. Eles querem entender como a gente funciona culturalmente, economicamente, como investir aqui e tirar o melhor proveito. Nunca vi tamano interesse pelo Brasil. A reforma política devia sair da retórica, nem que não seja neste governo, mas espero que façamos tudo o que precisa ser feito ainda nesta década. O cenário global nunca foi tão favorável para nós”.

GizReunions Eduardo Bicudo – Futuro do Brasil from Pedro Burgos on Vimeo.

Ping Pong Giz Reunions

-  Qual o seu maior orgulho? “Ter aumentado a importância da Wunderman brasileira entre todas as Wundermans é um deles. Estamos fazendo uma revolução silenciosa no mercado. Eu acredito de verdade que estou apostando no modelo de agência do futuro”.

- E o maior arrependimento? “Não sou do tipo que se arrepende. As coisas que não dão certo deixam lições tão boas… não me lembro de nada na vida que me arrependa”.

- Onde quer estar em 10 anos? “Quero ainda estar superativo no mercado, olhando para frente. Isso é o que me mantém vivo. Sou um ‘tiozinho’ lá na agência, mas apenas em idade, não em comportamento. Trabalhar, criar é o meu combustível”.

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