O que é o Gizmodo Brasil
- Por Pedro Burgos
- 06:15 - 13-01-2012
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Este ano finalmente conseguimos bancar a nossa vinda para a CES em Las Vegas. A CES é, como vocês devem saber, o maior evento de tecnologia do mundo e é tão divertida quanto trabalhosa. Ontem fui dormir bem tarde e acordei 5h30 daqui para ver como estava a pauta do dia no Brasil. A minha ideia era não traduzir tudo do Giz americano sobre a feira (que tem uma equipe de 10 pessoas aqui) de cara: podíamos esperar para que eu e o Henrique déssemos a impressão sobre as coisas que estão sendo lançadas. E estamos nos esforçando para isso. Ontem andei mais de 10km filmando coisas, conversando com engenheiros, testando o que vocês leram em todo lugar nos últimos dias, das “TVs de 8k” ao “novo Android XYZ que via mudar tudo”. A ideia do Giz não é ser uma agência de notícias. É pegar o mar de informações e dar alguma impressão, alguma análise, ver algo de diferente e bem legal, sempre que possível. Essa é a nossa ideia ao vir para cá – afinal, nada será lançado amanhã no Brasil, e perspectiva, a impressão de alguém confiável é mais importante, na minha humilde opinião. Então estamos, digamos, atrasados. Eu sei.
Pois bem, hoje encostei minha mochila com seus 8kg de equipamento e releases na sala de imprensa para escrever algumas coisas. Editei e subi um vídeo de um sistema de áudio novo da Samsung que eu acho bem sensacional e não vi sendo noticiado em muitos lugares. Estava escrevendo outras coisas, preparando a agenda para a tarde. Testar os novos PCs da Origin e o tablet com Windows 8 lá na nVidia, o mouse da Mad Catz, o roteador da Netgear, tentar testar a câmera 4K da JVC, ver uma luta de boxe em 3D no estande da ESPN, usar as lentes para iPhone da Olloclip. Não dá para pautar, escrever, filmar, tirar foto e editar ao mesmo tempo, então priorizamos coisas. No caso, testar, colocar mãos nos produtos. O “escrever sobre eles” sofreu um pouco. E a tarefa “ler todos os comentários” ficou bem relegada.
Mas eu tive que lê-los. Porque, no meio desse tumulto todo da feira, me chamam no Twitter para reclamar da “censura” nos comentários do Giz. Alguns leitores estavam enfurecidos porque não estávamos dando “todas as notícias relevantes”, ou que “traduzíamos demais”, como se alguém fosse morrer se não lesse em algum lugar que o protótipo de uma empresa X que nunca vai chegar ao mercado foi mostrado pela terceira vez. Também havia uma boa quantidade de matérias que “NÃO DEVERIAM ESTAR EM UM SITE DE TECNOLOGIA” (trolls gostam de caps). Então eu tirei um tempo e respondi alguns comentaristas. É bem simples, acho: se você se irrita com o que aparece no Giz, pule, ou não leia o site se isso está acontecendo demais. Nós aqui estamos bem felizes com o que fazemos, podemos melhorar, e estamos sempre tentando. Traduzimos coisas – e sim, sempre podemos melhorar a tradução – que nos chamam atenção no Gizmodo americano, não há qualquer imposição sobre isso deles lá e fazemos porque e quando gostamos do conteúdo. Fazemos o blog que gostamos de ler nós mesmos. Vocês acompanharem é uma boa consequência. A nossa relação – editores e amiguinhos – é muito boa na maior parte do tempo. Mas chegou um pessoal que quer impor uma visão do que deveria ser o Gizmodo Brasil.
E achei que valeria gastar uns minutos explicando o que é o Gizmodo Brasil. > LEIA MAIS
O que aprendi com Jobs: tecnologia sozinha não é suficiente
- Por Pedro Burgos
- 03:54 - 06-10-2011
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Se teve forças para acompanhar o evento de ontem, em suas últimas horas de vida, Steve Jobs pode ter ficado bastante triste depois do lançamento do mais recente iPhone da sua empresa. Não pelo iPhone 4S em si – ele é sensacional, é o aperfeiçoamento de sua visão sobre computadores de bolso, e será o smartphone mais vendido do mundo pelos próximos meses. Mas talvez pela discussão que se viu após o evento: pessoas falando de GHz, núcleos, polegadas, gramas, RAM, 4G.
Não, ele não viu isso. Quero crer que Laurene tenha o poupado de acompanhar essa repercussão. O “desapontamento geral” e brigas de torcedores fariam o visionário Steve acreditar que nós regredimos. Imagino ele dias antes, acamado, repassando as novidades do iPhone 4S com um nervoso Tim Cook. Parecia que ia dar tudo certo! O fundador da Apple deve ter achado que durante a apresentação as pessoas iriam sorrir com a ideia de mandar cartões de papel de verdade ali do celular (“coloque isso no início!”), que ficariam empolgadas agora que seus vídeos caseiros de celular não pareceriam mais vídeos caseiros, que os jornais e revistas estariam prontinhos, entregues automaticamente, de manhã no iPad, que queixos cairíam ao sabermos que finalmente poderíamos conversar com uma inteligência artificial da mesmo forma que pedimos ajuda a uma secretária.
Porque o sonho de Steve sempre foi que a tecnologia fosse poderosa a ponto de ser invisível. A era “pós-PC” que ele tanto fala significa algo mais intuitivo, mais fácil, com mais possibilidades. E a apresentação de ontem era mais um passo nessa direção. Mas lendo as reportagens e comentários aqui e alhures fica claro que boa parte das pessoas – inclusive as ditas “entendidas” – não compreenderam a sua visão. Não acham isso importante. E isso me entristece profundamente.
Porque Jobs era obcecado pela invisibilidade tecnológica. Para mim, é o coração da Apple. Pegue qualquer uma de suas últimas apresentações, preste atenção nas frases que ele evoca com mais paixão. “Este é o casamento da tecnologia com a arte”, “o computador é a bicicleta da nossa mente”, “tecnologia sozinha não é o suficiente”… Por mais que tenha feito uma fortuna de bilhões com gadgets em vidro e alumínio que amamos, Steve Jobs sempre viu a tecnologia como meio, e não fim. Um meio para que gastássemos mais tempo com o que realmente importa, com a nossa criatividade, com as pessoas queridas, com a cultura, com o conhecimento do resto do mundo. Esta preocupação, a busca pela tecnologia mais humana, e não a obsessão por detalhes e design incrível, é, para mim, o seu maior legado. Que, independentemente de credo, tem de ser protegido. Mais do que nunca, nós, pessoas que cobrimos tecnologia, você, leitor tech lover, executivos, engenheiros, precisamos ter isso em mente: a tecnologia foi feita para deixar a minha e a sua vida mais fácil, mais divertida, mais interessante. O gênio que moldou a maneira com que minha geração interage com o mundo se foi, mas não podemos perder isto de vista.
Nossos hackers precisam de uma dose de jornalismo
- Por Pedro Burgos
- 01:34 - 28-06-2011
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Há mais ou menos 8 anos, quando trabalhava em um jornal de Brasília, recebi a informação de que a Secretaria de Cultura do governo do DF estava dando dinheiro demais para apoiar eventos religiosos, e de menos para, por exemplo, festivais importantes de rock ou teatro. A fonte disse que a coisa poderia ser a ponta de um iceberg. Conversei por telefone com algumas pessoas e fui à Câmara Distrital encontrar com um deputado que frequentemente era fonte quando o assunto era bater no governo. Neste dia especificamente, ele abriu a tela do Sistema de Acompanhamento Orçamentário (o nome é muito maior, a sigla é a mesma em quase todos os lugares: SIAFI), digitou a senha que então pouca gente tinha e falou pra eu me divertir. O sistema era meio tosco e lento, mas com algumas buscas descobri quanto de dinheiro já havia sido pago a cada evento e, mais importante, quem recebia. Não tinha muito tempo e imprimi algumas páginas. Checando melhor, na redação, descobri que quem recebia o dinheiro era o assessor de um deputado, na agência da própria Câmara, tudo na cara dura. Mais alguns telefones e estava pronta a reportagem com chamada de capa no jornal de domingo. Bastou uma senha, menos de 10 minutos, e um pequeno escândalo (comparativamente) foi revelado. Ser jornalista, muitas vezes, é ser “hacker de resultado”.
Perdão pela auto-referência/elogio. Mas você consegue ver alguma semelhança dessa experiência com o que aconteceu nos últimos dias? Eu também não. Mas eu quero que isso mude.
Fanboys, o que vocês ganham brigando?
- Por Pedro Burgos
- 20:11 - 06-06-2011
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Hoje é um dia de grandes anúncios da Apple. O iOS 5 e o iCloud têm grandes novidades que adicionam excelentes funcionalidades para os usuários de iPhone, iPod Touch e iPad. Bastante gente possui gadgets da Apple, e eles estão felizes porque seus gadgets caros serão atualizados – e de repente as iCoisas ficam ainda mais atraentes. Ponto. Essa é a história. Pra que tanto ódio nos comentários? Qual o motivo da ofensa gratuita? > LEIA MAIS
Google e o poder mortal dos dados
- Por Wilson Rothman
- 08:58 - 04-11-2009
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Eu sempre tive medo de aranhas quando era criança, não por causa das oito patas ou dos olhos bizarros, mas pela maneira que elas matam as suas presas. Elas colocam as presas em uma posição conveniente, depois usam o veneno para paralisar as partes internas da vítima, até ela se tornar um objeto com olhos vidrados. Assim fez o Google com empresas de GPS. Quem será o próximo?
Sobre concursos
- Por Pedro Burgos
- 21:10 - 13-10-2009
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Alguns comentaristas reclamam que o vencedor do último concurso de legendas não fez uma legenda per se. iMojo e outros, vocês têm razão – mas vou me justificar. Peço desculpas pela falta de clareza nas regras mas, como o Jorge puxou ali embaixo no regulamento de concursos mais antigos, o "concurso de legendas" foi sempre algo para as pessoas soltarem a imaginação sem muitas rédeas.
Ainda sobre intolerância e respeito aos leitores
- Por Pedro Burgos
- 23:04 - 08-09-2009
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Sim, ainda é off-topic, mas é importante. O ótimo post do Kimura aí embaixo levanta a bandeira sobre tolerância na internet. Alguém já tocou no ponto, e outros suspeitarão, que o artigo pode ser contraditório porque o Gizmodo mesmo não seria "tolerante" com os seus leitores. O caso em questão: os posts sobre o pouso do homem na Lua que chamam os crentes na teoria da conspiração (talvez algum leitor do Gizmodo) de "idiotas".
Um ano atrás, numa galáxia muito, muito distante...
- Por Adriano Silva
- 00:56 - 01-09-2009
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Em 15 de junho abrimos a empresa e eu comecei a trabalhar. Não tinha nada além de uma marca e um baita desafio. Desenvolvi o modelo de negócios, o produto, a entrega. Montei uma apresentação comercial e o layout do site. Solicitei reuniões a mais de 100 prospects, na primeira leva. Cold e-mails. "Oi, sou fulano de tal, já fiz isso e aquilo na vida, agora estou tramando isso aqui, pode me dar 15 minutos da sua atenção?" Obtive mais de 70 respostas e oportunidades de apresentar o lançamento. A apresentação – um Flash porreta – ficou pronta em 9 de julho e de 10 a 31 daquele mês eu fiz 75 apresentações. Reuniões de 1h30. Em alguns dias, fazia cinco apresentações. Eu, ex-diretor da Abril, ex-chefe de redação na TV Globo, estava no mercado, com uma idéia na cabeça e um notebook na mão, vendendo, me expondo, empenhando meu nome e minha reputação. Não tínhamos nada além de um CD e de um brinde bem geek que eu deixava nas agências de publicidade e nos possíveis anunciantes – um helicóptero teleguiado, uma powerball, um globo magnético. O Gizmodo éramos eu e uma boa intenção. E só.
Gizmodo vai fazer aniversário. Meninas tragam comida, meninos, bebidas
- Por Pedro Burgos
- 19:20 - 05-08-2009
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Pois é, amiguinhos, já faz um tempo que o Gizmodo chegou a terras brasileiras. Foi um evento tão monstruosamente grande que nossos servidores caíram e o Google se apressou para lançar o Chrome no dia seguinte, só para mudar o foco da mídia.
Memória Assistida por Computador: brilhante ou horrível?
- Por Jason Chen (trad. Victor Soares)
- 10:14 - 05-12-2008
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Eu não sou nenhum perito em memória ou em cérebro: eu mal tenho os meus próprios equipamentos. Mas este post sobre memória episódica perfeita no BoingBoing me fez pensar sobre a nossa memória e como a tecnologia a alterará no futuro.












