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Quando o Brasil decidir para quem vender, o jogo global pode mudar

Em um recado firme durante evento do agronegócio, Ratinho Júnior defendeu a vocação do Brasil para produzir alimentos e destacou que o país poderá, em breve, escolher seus clientes com base em critérios ambientais. A fala aponta para um reposicionamento estratégico no cenário internacional, unindo força produtiva e responsabilidade ambiental.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Brasil tem se consolidado como uma potência agroindustrial global, mas segundo o governador do Paraná, Ratinho Júnior, essa liderança precisa ser exercida com inteligência estratégica e responsabilidade ambiental. Durante sua participação no AgroTalk Show, o político paranaense defendeu uma produção mais valorizada, investimentos estruturantes e critérios sustentáveis para definir os destinos da produção nacional.

O Brasil como supermercado do mundo

Quando o Brasil decidir para quem vender, o jogo global pode mudar
© Pexels

Para Ratinho Júnior, a missão do Brasil não deve ser apenas alimentar o mundo, mas agregar valor àquilo que produz. Ele reforçou que exportar proteína animal em vez de apenas grãos garante maior retorno financeiro e fortalece a cadeia produtiva nacional. Atualmente, o Paraná já é protagonista nesse cenário, respondendo por 25% da produção de proteína animal do país, além de ocupar a segunda colocação na produção de grãos.

O governador explicou que, embora o estado seja deficitário na produção de milho e soja, transforma 40% dos grãos vindos do Mato Grosso do Sul em proteína de alto valor agregado, como frango, peixe, carne bovina e suína. Esse modelo, segundo ele, precisa ser replicado nacionalmente para gerar mais divisas e empregos no território brasileiro.

Como parte da estratégia de fortalecimento da agroindústria local, o Paraná lançou recentemente um Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) no valor inicial de R$ 2 bilhões. A expectativa é expandir o modelo para alcançar até R$ 14 bilhões em recursos destinados ao financiamento do setor.

Compromisso ambiental e soberania comercial

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© Pexels

Ratinho Júnior também enfatizou que o crescimento do agro brasileiro deve andar lado a lado com a responsabilidade ambiental. Para ele, o país já faz muito pela preservação, com 20% da Mata Atlântica e 80% da Floresta Amazônica legalmente protegidos — uma realidade que, segundo ele, não encontra paralelo no mundo.

O governador sugeriu que o Brasil deve, em breve, adotar critérios próprios para decidir a quem vender seus produtos agrícolas. E deixou claro que países que utilizam carvão mineral como principal fonte de energia não deveriam estar na lista de compradores preferenciais. Essa declaração reforça a ideia de uma nova postura do Brasil diante do mercado internacional: a de um fornecedor exigente, que valoriza práticas sustentáveis também por parte dos seus parceiros comerciais.

Desafios e oportunidades na infraestrutura do agro

Apesar dos avanços, o governador apontou gargalos importantes que precisam ser superados. Um dos principais é a falta de capacidade de armazenagem no campo, que compromete a logística e aumenta a dependência de mercados externos. Segundo ele, melhorar essa infraestrutura é essencial para dar mais autonomia ao produtor e evitar perdas.

Ratinho Júnior defende que, com mais investimento, tecnologia e planejamento, o Brasil pode transformar seu papel no comércio global de alimentos. E isso inclui não só produzir com eficiência, mas também elevar o padrão daquilo que é exportado e com quem se negocia.

Ao unir o discurso econômico com a pauta ambiental, o governador sugere uma guinada estratégica: o Brasil deve deixar de ser apenas fornecedor e passar a ser protagonista nas decisões sobre o destino da sua produção. A mensagem é clara: quem quiser comprar do Brasil, terá que respeitar o que o país defende.

[Fonte: Money times]

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