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13º salário em 2025: para onde vai o dinheiro do trabalhador

O 13º salário voltou a movimentar bilhões — mas não exatamente do jeito que muita gente gostaria. Mesmo com mais dinheiro circulando na economia, a maior parte dos trabalhadores brasileiros está usando o benefício para apertar o cinto, não para gastar sem culpa. Entenda como o 13º salário está sendo usado, o que isso revela sobre o endividamento no país e por que o comércio sente menos esse impulso.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A segunda parcela do 13º salário, paga nos últimos dias para a maioria dos trabalhadores, deve injetar cerca de R$ 132 bilhões na economia brasileira em dezembro. O valor representa um crescimento nominal de 5,7% em relação ao ano passado e um avanço real de 0,7%, já descontada a inflação. Ainda assim, o destino desse dinheiro mostra um retrato claro da situação financeira das famílias.

Dívidas seguem como principal destino do 13º salário

Pelo quinto ano consecutivo, o pagamento ou abatimento de dívidas lidera o uso do 13º salário. A divisão estimada dos recursos deixa isso evidente:

  • R$ 45,8 bilhões vão direto para o pagamento de dívidas
  • R$ 36,5 bilhões devem virar compras no comércio
  • R$ 33,8 bilhões serão usados em serviços
  • R$ 15,7 bilhões seguem para a poupança

Na prática, o 13º salário funciona mais como ferramenta de ajuste do orçamento doméstico do que como impulso ao consumo.

Endividamento alto limita o consumo

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, cerca de 30,9% da renda média das famílias estará comprometida com dívidas ao final de 2025 — um dos níveis mais altos da série histórica.

Dados do Banco Central mostram que esse comprometimento subiu 0,7 ponto percentual nos últimos 12 meses e deve seguir pressionando o consumo até, pelo menos, o início de 2026. A conta é simples: para cada aumento de 1 ponto percentual no endividamento da renda, a propensão ao consumo cai 1,1%.

Juros altos e inadimplência travam a economia

Outro freio importante é o custo do crédito. A taxa média de juros das operações com recursos livres para pessoas físicas chegou a 58,7% ao ano, o maior nível para este período em oito anos. Já a inadimplência atingiu 5,6% da carteira, o pior patamar em 13 anos.

Esse cenário explica por que o 13º salário está sendo usado com cautela. Em vez de novas compras, muitos brasileiros preferem reduzir parcelas, renegociar débitos ou simplesmente evitar entrar no cheque especial ou no rotativo do cartão.

Cesta de Natal fica mais barata às vésperas das festas

Nem tudo é aperto. Com a intensificação das promoções, a cesta típica de Natal ficou mais barata na semana que antecedeu as festas. O conjunto com dez itens tradicionais — como panetone, peru, azeite e espumante — registrou queda média de 2,4%, passando de R$ 351,80 para R$ 343,39.

O maior recuo ocorreu no Nordeste (-4,0%), seguido por Sul (-2,9%), Sudeste (-2,6%), Centro-Oeste (-1,2%) e Norte (-1,2%). Segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados, a redução se concentrou em produtos com demanda altamente sazonal, sensíveis a promoções e ajustes de estoque.

Comércio cresce, mas abaixo do esperado

Apesar da melhora pontual nos preços, o impacto do 13º salário no comércio segue mais contido do que em anos anteriores. O consumo até cresce, mas longe do ritmo necessário para compensar juros altos, renda comprometida e insegurança financeira.

O recado de 2025 é claro: o 13º salário continua essencial para a economia, mas seu papel mudou. Mais do que celebrar, o trabalhador brasileiro está usando o benefício para respirar — e tentar começar o próximo ano com menos dívidas e um pouco mais de fôlego financeiro.

[Fonte: Correio Braziliense]

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