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Ciência

A culpa não é sua: a ciência explica por que é tão difícil se motivar para fazer exercício

Se você sente preguiça de treinar, não se culpe: seu corpo está apenas seguindo um instinto ancestral. Um professor de Harvard afirma que a falta de vontade para se exercitar é natural — e tem raízes na nossa evolução.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ir para a academia, correr no parque ou fazer qualquer atividade física pode parecer um desafio para muitas pessoas. Mas, segundo a ciência, isso não é sinal de fraqueza ou preguiça. De acordo com o professor Daniel E. Lieberman, da Universidade de Harvard, essa falta de motivação é um traço evolutivo natural da nossa espécie.

 

Lieberman, que dirige o Departamento de Biologia Evolutiva Humana de Harvard, explora essa teoria em seu livro Exercised: Why Something We Never Evolved to Do is Healthy and Rewarding. Com base em mais de uma década de pesquisas, ele defende que os seres humanos foram moldados para o esforço moderado e funcional — e não para correr maratonas por diversão.

 

Esforço físico voluntário é uma invenção recente

Treino Fisico 1
© Unsplash

Em entrevista à Harvard Gazette, Lieberman argumenta que pedir às pessoas que façam exercícios por saúde é pedir algo contra a natureza humana. “Evoluímos para nos mover quando necessário, não para gastar energia voluntariamente apenas por benefício futuro”, afirma.

 

Para nossos ancestrais caçadores-coletores ou agricultores, sair correndo por cinco quilômetros sem uma razão clara seria impensável. A lógica da sobrevivência era conservar energia, não desperdiçá-la. Por isso, a ideia de praticar exercícios com regularidade é uma construção cultural recente, sem paralelo na maior parte da nossa história evolutiva.

 

Não é preguiça: é instinto de sobrevivência

Segundo Lieberman, é injusto rotular as pessoas como preguiçosas por não quererem se exercitar. “Elas estão apenas agindo de forma natural”, explica. O desejo de evitar esforço desnecessário foi essencial para nossa sobrevivência por milênios — mas hoje, em um mundo repleto de conforto, virou um problema.

 

Para superar esse instinto, o professor sugere abordagens mais compassivas e realistas, com base na antropologia evolutiva.

 

Estratégias evolutivas para se exercitar sem sofrimento

Seja gentil consigo mesmo.

Lieberman reforça que até os amantes de exercício enfrentam resistência interna. “Às vezes, preciso me forçar a sair de casa para correr. Faz frio, estou cansado, e minha cabeça inventa mil desculpas para adiar. O segredo é reconhecer que essas vozes são normais — e vencê-las com empatia”, conta.

 

Transforme o exercício em algo divertido e social.

Nossos ancestrais se movimentavam por necessidade ou diversão. Caçavam, dançavam, brincavam. Reproduzir essas situações ajuda a tornar a atividade física mais prazerosa. Por isso, Lieberman recomenda se exercitar em grupo, com amigos, ou em contextos sociais que estimulem o engajamento.

 

Esqueça maratonas. Faça o que for possível.

Muita gente acredita que é preciso treinar como um atleta para colher benefícios. Lieberman derruba esse mito: “Não evoluímos para correr maratonas ou levantar pedras gigantes. O que precisamos é de um pouco de atividade diária — e só isso já é suficiente para melhorar a saúde”, afirma.

 

Um novo olhar sobre o movimento

A grande contribuição de Lieberman está em mudar a forma como enxergamos o exercício físico. Ao invés de um castigo ou uma obrigação, ele sugere que devemos entender nossas limitações biológicas e encontrar maneiras mais naturais de nos manter ativos.

 

Exercitar-se, nesse sentido, não precisa ser um desafio heróico — e sim um hábito simple, agradável e compatível com o que fomos programados para fazer: mover-se com propósito, em comunidade, e dentro dos nossos limites reais.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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