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Ciência

A manobra da China que fez chover em pleno deserto e pode mudar o clima do planeta

Com a ajuda de drones e uma substância química em pequena quantidade, a China conseguiu provocar uma chuva artificial em uma das regiões mais secas do país. A experiência impressiona pelo volume de água gerado e pelos debates que levanta sobre o futuro da engenharia climática.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Em meio a uma das áreas mais áridas da China, um experimento ousado mostrou que controlar o clima pode estar cada vez mais próximo da realidade. Utilizando drones e um composto químico específico, o governo chinês provocou uma chuva considerável em Xinjiang, reacendendo debates sobre as fronteiras da ciência e os riscos envolvidos em interferências desse tipo na natureza.

Como a China fez chover com drones

A manobra da China que fez chover em pleno deserto e pode mudar o clima do planeta
© Pexels

Na região de Bayanbulak, situada no coração de Xinjiang, drones de médio porte sobrevoaram uma área de mais de 8 mil km², liberando iodeto de prata — uma substância seis vezes mais densa que a água — em forma de fumaça. Foram quatro voos a 5.500 metros de altitude, com barras de chama de 125 gramas cada, liberadas a uma taxa de 0,28 gramas por segundo.

O resultado surpreendeu: uma elevação de mais de 4% na precipitação, gerando o equivalente a 78 mil metros cúbicos de água — o que corresponde a 30 piscinas olímpicas. As gotas de chuva aumentaram de 0,46 mm para 3,22 mm de diâmetro, enquanto as nuvens se elevaram em até 3 km e apresentaram queda de temperatura de até 10°C.

Esse avanço integra um projeto que começou em 2021 e conta com 24 estações terrestres, satélites e uma frota automatizada de drones. O sistema funciona em todas as estações do ano e permite uma modificação climática em larga escala com maior segurança e precisão.

Avanço climático ou intervenção arriscada?

A manobra da China que fez chover em pleno deserto e pode mudar o clima do planeta
© Pexels

Apesar do entusiasmo, a experiência levanta questionamentos. A prática de semear nuvens já é aplicada em outras regiões chinesas, como Sichuan e Guizhou, mas os impactos de longo prazo ainda são incertos. Entre os principais pontos em discussão estão a eficácia da técnica quando usada regularmente e os possíveis efeitos ambientais adversos.

Com o derretimento das geleiras ameaçando o abastecimento de milhões de pessoas nos arredores dos desertos de Gobi e Taklamakan, a iniciativa parece promissora. Ainda assim, os próprios cientistas alertam que o caminho até uma solução estável e segura é longo. Por ora, a China mostra que, com engenharia climática, talvez possamos mesmo fazer chover onde antes parecia impossível.

[Fonte: IGN]

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