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Ciência

A partícula que pode explicar por que a matéria existe no universo

Uma partícula hipotética chamada Majoron pode ser a chave para desvendar dois dos maiores mistérios da física moderna: a matéria escura e o desequilíbrio entre matéria e antimatéria.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Cientistas propuseram um modelo teórico inovador que sugere que o Majoron, uma partícula ainda não detectada, poderia explicar como a matéria prevaleceu sobre a antimatéria e também esclarecer a natureza da matéria escura, que compõe cerca de 85% do universo. Essa hipótese conecta eventos do início do universo com fenômenos ainda não compreendidos, prometendo transformar nossa visão do cosmos.

O desequilíbrio entre matéria e antimatéria

Um dos maiores enigmas da cosmologia é a predominância da matéria no universo. Segundo as leis fundamentais da física, o Big Bang deveria ter criado quantidades iguais de matéria e antimatéria, que se aniquilariam ao se encontrar. No entanto, o universo observável é quase inteiramente composto de matéria, enquanto a antimatéria é praticamente inexistente.

Esse fenômeno, conhecido como bariogênese, ainda não foi completamente explicado. O novo modelo, liderado por pesquisadores da Universidade de Southampton e do Instituto Indiano de Tecnologia Guwahati, sugere que a chave pode estar nos neutrinos, partículas subatômicas que já intrigam os cientistas por suas propriedades peculiares.

A hipótese dos neutrinos destros e do Majoron

Os neutrinos conhecidos até hoje são “canhotos”, ou seja, possuem um tipo de rotação interna que segue uma direção específica. O modelo teórico propõe a existência de neutrinos destros, suas contrapartes, que teriam desempenhado um papel crucial nos primeiros momentos do universo.

Durante o início do cosmos, essas duas formas de neutrinos teriam interagido, quebrando o equilíbrio entre matéria e antimatéria. Nesse processo, os neutrinos destros teriam desaparecido ou se transformado em partículas exóticas, enquanto os canhotos ganharam massa.

É nesse contexto que surge o Majoron. Segundo o modelo, essa partícula hipotética teria sido formada a partir de uma ruptura espontânea de simetria no universo primitivo. Por ser sua própria antipartícula, o Majoron teria sobrevivido ao caos inicial e poderia constituir a maior parte da matéria escura.

Majoron e matéria escura

A matéria escura, embora invisível, exerce uma influência gravitacional significativa no universo. O Majoron seria um excelente candidato para essa substância misteriosa, já que seria extremamente leve, estável e capaz de interagir gravitacionalmente com a matéria visível.

De acordo com o estudo, o Majoron teria sido gerado por um mecanismo chamado freeze-in, no qual partículas são produzidas lentamente a partir do plasma primordial e permanecem estáveis ao longo do tempo.

Limitações e próximos passos

Apesar do potencial revolucionário dessa teoria, o Majoron e os neutrinos destros ainda não foram detectados experimentalmente. Os pesquisadores estimam que os neutrinos destros teriam massas extremamente altas, entre 10⁶ GeV e 10¹³ GeV, valores muito além das capacidades dos aceleradores de partículas atuais.

O modelo também introduz termos de alta energia conhecidos como operadores não renormalizáveis, que explicam como os Majorons se formaram e como ocorreu a ruptura da simetria.

Os próximos passos incluem a busca por sinais experimentais que possam validar a existência do Majoron e dos neutrinos destros, além do desenvolvimento de modelos mais detalhados que conectem as partículas subatômicas com a estrutura em larga escala do universo.

Um passo rumo à compreensão do cosmos

Se confirmada, a existência do Majoron resolveria dois dos maiores mistérios da física moderna: a origem da matéria e a natureza da matéria escura. Essa hipótese destaca como abordagens inovadoras podem conectar áreas aparentemente distintas da física, oferecendo novas perspectivas sobre o universo.

Com avanços tecnológicos e experimentos futuros, o Majoron pode marcar o início de uma nova era na compreensão do cosmos, revelando segredos que moldaram o universo como o conhecemos hoje.

 

Fonte: Infobae

 

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