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Ciência

A silenciosa ameaça que pode dobrar o risco de morte e afeta 1 em cada 4 adultos

A doença hepática associada à disfunção metabólica (MASLD) pode dobrar o risco de morte e afeta até 1 em cada 4 adultos. Frequentemente silenciosa, está ligada ao sobrepeso e compromete não só o fígado, mas também o coração e o sistema imunológico. Detecção precoce e tratamento multidisciplinar são essenciais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Poucos sabem que um problema silencioso pode estar afetando milhões de pessoas no mundo — inclusive você. A ciência acaba de revelar que uma condição ligada ao fígado, muitas vezes ignorada por não apresentar sintomas no início, está diretamente associada a um risco muito maior de morte prematura. Entenda por que esse alerta vem preocupando médicos em todo o mundo.

O que é a MASLD e por que ela preocupa tanto?

A doença hepática esteatósica associada à disfunção metabólica (MASLD) é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no fígado, geralmente provocada por sobrepeso ou obesidade. Embora possa parecer inofensiva no começo, esse distúrbio pode evoluir para complicações sérias, como cirrose, insuficiência hepática e até câncer de fígado.

Segundo um estudo conduzido pelo prestigiado Instituto Karolinska, na Suécia, indivíduos com MASLD têm quase o dobro de chance de morrer em comparação com a população geral. Isso inclui não apenas mortes por doenças hepáticas, mas também por câncer e problemas cardiovasculares.

O impacto alarmante revelado pelo estudo sueco

O estudo, publicado no Journal of Hepatology, analisou os dados de 13.099 suecos diagnosticados com MASLD entre 2002 e 2020. A descoberta foi chocante: o risco de morte por doença hepática foi 27 vezes maior entre esses pacientes, e o de câncer de fígado, 35 vezes maior.

Mas o que mais chamou atenção foram as causas não hepáticas: o risco de morte por doenças cardiovasculares aumentou 54%, e por cânceres não relacionados ao fígado, 47%. Ou seja, a doença afeta muito mais do que apenas o fígado — ela compromete o organismo como um todo.

Um diagnóstico silencioso, mas mortal

Uma das maiores dificuldades no combate à MASLD é sua detecção. A doença costuma ser silenciosa nas fases iniciais, o que faz com que muitas pessoas convivam com ela sem saber. Axel Wester, professor e médico do Hospital Universitário Karolinska, alerta que o risco de morte é alto não só por doenças hepáticas, mas também por diversos outros problemas crônicos.

Essa falta de sintomas claros dificulta diagnósticos precoces, o que atrasa o início do tratamento e aumenta o risco de complicações. Por isso, os especialistas pedem mais atenção e conscientização sobre a condição.

A necessidade de um tratamento multidisciplinar

O estudo enfatiza que tratar apenas o fígado não é suficiente. Hannes Hagström, um dos autores da pesquisa, defende uma abordagem médica mais ampla e integrada, envolvendo especialistas de diferentes áreas para lidar com os múltiplos impactos da MASLD no corpo humano.

Além das doenças já mencionadas, pessoas com essa condição também apresentaram maior risco de morte por infecções, problemas respiratórios, doenças endócrinas e gastrointestinais — embora não tenham sido observadas maiores taxas de mortalidade por doenças mentais.

Prevenção e políticas de saúde pública

Gabriel Issa, primeiro autor do estudo, destaca a urgência de estratégias de saúde pública voltadas à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce da MASLD. Ele ressalta que a alta prevalência global — que pode chegar a um em cada quatro adultos — torna essa condição um verdadeiro desafio de saúde pública.

Iniciativas como exames de rotina para pacientes com sobrepeso, mudanças no estilo de vida e monitoramento dos níveis de gordura no fígado podem fazer a diferença na redução de complicações e mortalidade associadas à MASLD.

Conclusão: um alerta que não pode ser ignorado

O estudo sueco deixa claro que a MASLD não deve ser subestimada. Trata-se de uma condição silenciosa, mas com impacto profundo na saúde e na expectativa de vida das pessoas. A prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento integrado são fundamentais para mudar esse cenário alarmante. Ignorar o problema pode custar caro — até mesmo a vida.

 

Fonte: Infobae

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