O Estreito de Hormuz voltou ao centro das preocupações globais. Por essa estreita passagem marítima circula cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. Com a guerra envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos entrando em sua terceira semana, a região tornou-se um ponto crítico para o comércio global de energia. Agora, uma nova divisão entre Washington e seus aliados europeus ameaça ampliar ainda mais a crise.
Aliados europeus recusam enviar navios militares
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta semana que países aliados enviassem navios de guerra para escoltar petroleiros através do Estreito de Hormuz.
A proposta tinha como objetivo garantir a segurança do tráfego marítimo após o bloqueio parcial da rota por forças iranianas, que utilizam drones e minas navais para impedir a passagem de embarcações.
No entanto, vários parceiros tradicionais de Washington rejeitaram o pedido.
Países como Alemanha, Espanha e Itália afirmaram que não têm planos imediatos de participar de uma operação militar para reabrir o estreito.
O chanceler alemão Friedrich Merz explicou que a Alemanha não possui autorização legal para esse tipo de missão.
Segundo ele, qualquer ação militar desse tipo exigiria um mandato formal de organismos internacionais como Nações Unidas, União Europeia ou OTAN.
Merz também destacou que o governo alemão não foi consultado antes dos ataques iniciais contra o Irã realizados por Estados Unidos e Israel.
Essa falta de coordenação entre aliados tem alimentado um clima de tensão diplomática dentro do bloco ocidental.
Trump critica falta de apoio de parceiros históricos
Diante da recusa de alguns aliados, Trump demonstrou irritação.
Durante um evento na Casa Branca, o presidente afirmou que esperava mais apoio de países que, segundo ele, foram protegidos pelos Estados Unidos durante décadas.
Trump declarou que alguns governos demonstraram entusiasmo com a proposta, enquanto outros não demonstraram o mesmo nível de comprometimento.
Embora não tenha citado países específicos em suas críticas, o presidente indicou que a falta de apoio de aliados tradicionais tem peso político em sua avaliação da situação.
O episódio expõe divergências cada vez mais visíveis entre Washington e parceiros europeus sobre como lidar com o conflito no Oriente Médio.
Enquanto os Estados Unidos pressionam por uma resposta militar mais direta, vários países europeus demonstram cautela diante do risco de ampliação da guerra.
A guerra entra na terceira semana sem sinais de trégua
Enquanto o impasse diplomático cresce, o conflito militar continua se intensificando.
Autoridades israelenses afirmaram que o país possui planos detalhados para continuar as operações militares contra o Irã por pelo menos mais três semanas.
Segundo o governo de Israel, os ataques têm como objetivo reduzir drasticamente a capacidade militar iraniana.
Entre os alvos estão instalações de mísseis balísticos, infraestruturas nucleares e estruturas de segurança do regime iraniano.
Porta-vozes das forças armadas israelenses afirmam que ainda existem milhares de alvos potenciais dentro do território iraniano.
Ao mesmo tempo, a guerra começou a se expandir para outras frentes.
Forças israelenses avançaram para novas áreas no sul do Líbano, após ataques com foguetes lançados pelo Hezbollah em resposta à morte do líder supremo iraniano.
Em uma declaração conjunta, Canadá, França, Alemanha, Itália e Reino Unido alertaram que uma grande ofensiva terrestre israelense poderia gerar consequências humanitárias devastadoras e prolongar o conflito por tempo indeterminado.
Ataques com drones ampliam o alcance da guerra
A guerra também começou a afetar países vizinhos.
Drones iranianos atingiram alvos nos Emirados Árabes Unidos, causando impactos diretos na infraestrutura energética e no transporte aéreo.
No aeroporto internacional de Dubai, um dos mais movimentados do mundo, voos foram suspensos por várias horas após um ataque atingir um depósito de combustível nas proximidades.
No porto de Fujairah, um importante terminal de exportação de petróleo do Golfo, operações de carregamento foram parcialmente interrompidas.
Esse terminal é responsável por cerca de 1% da demanda global de petróleo, o que torna qualquer interrupção relevante para os mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita informou ter interceptado dezenas de drones em sua região oriental em apenas uma hora.
Apesar da escalada, não foram relatadas vítimas nesses ataques específicos.
A ameaça de novos alvos e a escalada regional
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou que poderá atacar instalações industriais americanas em toda a região do Oriente Médio.
Autoridades iranianas também alertaram que instalações energéticas de países que permitirem ataques dos Estados Unidos contra o Irã poderão se tornar alvos.
A tensão aumentou ainda mais após ameaças de ataques a instalações petrolíferas na ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano.
Nos últimos dias, forças americanas afirmaram ter atingido alvos militares nessa área.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que o país não solicitou cessar-fogo e não iniciou negociações com Washington.
Ele também acusou alguns países vizinhos que abrigam bases militares americanas de incentivar ataques contra o Irã.
Civis enfrentam consequências diretas do conflito
Enquanto governos e exércitos trocam ameaças, civis em diferentes regiões enfrentam os efeitos diretos da guerra.
Em Teerã, equipes de resgate trabalham para retirar vítimas dos escombros após bombardeios atingirem áreas residenciais.
Uma moradora da cidade relatou que o acesso à internet foi interrompido durante a noite, deixando muitos habitantes isolados do resto do mundo.
Ao mesmo tempo, sirenes de ataque aéreo continuam sendo ouvidas em Tel Aviv, indicando que o Irã ainda mantém capacidade de realizar ataques de longa distância.
Apesar da instabilidade regional, os mercados de energia mostraram sinais inesperados de alívio.Reu
Depois de ultrapassar os 100 dólares por barril, os preços do petróleo recuaram quando autoridades americanas indicaram que alguns navios de combustível iranianos podem estar conseguindo atravessar o Estreito de Hormuz.
[Fonte: Reuters]