Os céus do fim de fevereiro reservam um evento que não acontece com frequência. Nos próximos dias, um arranjo pouco comum entre vários planetas poderá ser visto da Terra, despertando tanto a curiosidade de astrônomos quanto o entusiasmo de observadores amadores. O fenômeno exige timing, localização adequada e um pouco de paciência — mas, para quem conseguir observar, a recompensa pode ser memorável.
Um alinhamento que acontece raramente

Neste sábado (28/2), seis planetas — Vênus, Mercúrio, Netuno, Saturno, Urano e Júpiter — aparecerão alinhados no céu em um fenômeno considerado incomum. O efeito visual ocorre por causa da posição e da distância desses corpos celestes em relação à Terra.
O alinhamento já começa a se formar a partir de quarta-feira (25/2), mas atinge sua configuração mais completa no sábado. A observação é possível em várias partes do mundo, desde que as condições de visibilidade sejam favoráveis.
O melhor momento para tentar enxergar o fenômeno é logo após o pôr do sol, aproximadamente até as 19h. Depois desse horário, Mercúrio — o planeta mais próximo do horizonte — tende a desaparecer da vista.
Segundo o professor do Planetário de Brasília, Luiz Cavalcante, a observação pode ser desafiadora, especialmente em áreas urbanas com forte poluição luminosa. Em cidades densamente iluminadas, prédios e postes podem dificultar a visualização completa do alinhamento.
Por isso, locais rurais ou campos abertos com horizonte livre são as melhores opções para quem quer tentar ver o espetáculo celeste.
Nem todos os planetas serão fáceis de ver
Apesar do destaque do evento, enxergar todos os planetas não será tarefa simples. Mercúrio e Vênus tendem a ser os mais visíveis no início da noite, ainda com o céu parcialmente claro.
Mercúrio, porém, corre o risco de ficar encoberto por vegetação ou relevo, já que aparece muito próximo ao horizonte. Logo acima, Saturno e Netuno permanecem visíveis por cerca de mais 40 minutos.
Urano e Netuno representam o maior desafio: ambos exigem telescópio para observação. Sem equipamento adequado, a maioria das pessoas não conseguirá identificá-los a olho nu.
Cavalcante ressalta que o grande atrativo da noite pode acabar sendo outro astro. A Lua aparecerá com cerca de 90% do disco iluminado e em conjunção com Júpiter, que permanecerá bastante brilhante no céu até aproximadamente 2h15 da madrugada.
Para quem prefere uma alternativa mais prática, o professor recomenda o uso do aplicativo Stellarium. A ferramenta permite apontar a câmera do celular para o céu e identificar planetas e constelações, inclusive aqueles escondidos pela poluição luminosa ou pelo horizonte.
Por que esse fenômeno chama tanta atenção
De acordo com o pesquisador Vinícius de Abreu, do Instituto de Física da UnB, o alinhamento ocorre porque os seis planetas estarão posicionados do mesmo lado do Sol — deixando apenas Marte fora dessa configuração.
Ele explica que o movimento observado é aparente e depende da dinâmica orbital da Terra e dos demais planetas. Como todos orbitam aproximadamente no mesmo plano ao redor do Sol, seus posicionamentos no céu podem ser previstos.
Mesmo assim, a coincidência de visibilidade simultânea é considerada rara. Em média, eventos desse tipo acontecem cerca de uma vez por década, já que dependem de múltiplas variáveis, como distância, posição orbital e condições de observação.
O pesquisador também faz um alerta importante: nunca se deve olhar diretamente para o Sol. O momento ideal para buscar os planetas é logo após o pôr do astro, quando ele já está abaixo do horizonte.
Entre ciência e simbolismo
Embora seja um fenômeno astronômico bem compreendido pela ciência, o alinhamento também desperta interpretações simbólicas em outras áreas.
A astróloga e analista junguiana Aline Maccari lembra que, na Antiguidade, astronomia e astrologia eram estudadas em conjunto. Segundo ela, a separação entre as duas áreas surgiu apenas com a ciência moderna.
Do ponto de vista astrológico, Maccari observa uma concentração de planetas entre os signos de Peixes e Áries, o que simbolizaria um momento de transição — o fim de um ciclo e o início de outro.
Independentemente da interpretação, especialistas concordam em um ponto: o fenômeno visível entre 25 e 28 de fevereiro oferece uma oportunidade rara de observar a dinâmica do sistema solar em ação — e um convite para olhar o céu com mais atenção.
[Fonte: Correio Braziliense]