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Ciência

Alinhamento incomum de planetas vai transformar o céu desta semana

O fenômeno é raro, depende de várias condições e pode render uma experiência única a quem souber onde olhar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os céus do fim de fevereiro reservam um evento que não acontece com frequência. Nos próximos dias, um arranjo pouco comum entre vários planetas poderá ser visto da Terra, despertando tanto a curiosidade de astrônomos quanto o entusiasmo de observadores amadores. O fenômeno exige timing, localização adequada e um pouco de paciência — mas, para quem conseguir observar, a recompensa pode ser memorável.

Um alinhamento que acontece raramente

Alinhamento incomum de planetas vai transformar o céu desta semana
© https://x.com/StarWalk

Neste sábado (28/2), seis planetas — Vênus, Mercúrio, Netuno, Saturno, Urano e Júpiter — aparecerão alinhados no céu em um fenômeno considerado incomum. O efeito visual ocorre por causa da posição e da distância desses corpos celestes em relação à Terra.

O alinhamento já começa a se formar a partir de quarta-feira (25/2), mas atinge sua configuração mais completa no sábado. A observação é possível em várias partes do mundo, desde que as condições de visibilidade sejam favoráveis.

O melhor momento para tentar enxergar o fenômeno é logo após o pôr do sol, aproximadamente até as 19h. Depois desse horário, Mercúrio — o planeta mais próximo do horizonte — tende a desaparecer da vista.

Segundo o professor do Planetário de Brasília, Luiz Cavalcante, a observação pode ser desafiadora, especialmente em áreas urbanas com forte poluição luminosa. Em cidades densamente iluminadas, prédios e postes podem dificultar a visualização completa do alinhamento.

Por isso, locais rurais ou campos abertos com horizonte livre são as melhores opções para quem quer tentar ver o espetáculo celeste.

Nem todos os planetas serão fáceis de ver

Apesar do destaque do evento, enxergar todos os planetas não será tarefa simples. Mercúrio e Vênus tendem a ser os mais visíveis no início da noite, ainda com o céu parcialmente claro.

Mercúrio, porém, corre o risco de ficar encoberto por vegetação ou relevo, já que aparece muito próximo ao horizonte. Logo acima, Saturno e Netuno permanecem visíveis por cerca de mais 40 minutos.

Urano e Netuno representam o maior desafio: ambos exigem telescópio para observação. Sem equipamento adequado, a maioria das pessoas não conseguirá identificá-los a olho nu.

Cavalcante ressalta que o grande atrativo da noite pode acabar sendo outro astro. A Lua aparecerá com cerca de 90% do disco iluminado e em conjunção com Júpiter, que permanecerá bastante brilhante no céu até aproximadamente 2h15 da madrugada.

Para quem prefere uma alternativa mais prática, o professor recomenda o uso do aplicativo Stellarium. A ferramenta permite apontar a câmera do celular para o céu e identificar planetas e constelações, inclusive aqueles escondidos pela poluição luminosa ou pelo horizonte.

Por que esse fenômeno chama tanta atenção

De acordo com o pesquisador Vinícius de Abreu, do Instituto de Física da UnB, o alinhamento ocorre porque os seis planetas estarão posicionados do mesmo lado do Sol — deixando apenas Marte fora dessa configuração.

Ele explica que o movimento observado é aparente e depende da dinâmica orbital da Terra e dos demais planetas. Como todos orbitam aproximadamente no mesmo plano ao redor do Sol, seus posicionamentos no céu podem ser previstos.

Mesmo assim, a coincidência de visibilidade simultânea é considerada rara. Em média, eventos desse tipo acontecem cerca de uma vez por década, já que dependem de múltiplas variáveis, como distância, posição orbital e condições de observação.

O pesquisador também faz um alerta importante: nunca se deve olhar diretamente para o Sol. O momento ideal para buscar os planetas é logo após o pôr do astro, quando ele já está abaixo do horizonte.

Entre ciência e simbolismo

Embora seja um fenômeno astronômico bem compreendido pela ciência, o alinhamento também desperta interpretações simbólicas em outras áreas.

A astróloga e analista junguiana Aline Maccari lembra que, na Antiguidade, astronomia e astrologia eram estudadas em conjunto. Segundo ela, a separação entre as duas áreas surgiu apenas com a ciência moderna.

Do ponto de vista astrológico, Maccari observa uma concentração de planetas entre os signos de Peixes e Áries, o que simbolizaria um momento de transição — o fim de um ciclo e o início de outro.

Independentemente da interpretação, especialistas concordam em um ponto: o fenômeno visível entre 25 e 28 de fevereiro oferece uma oportunidade rara de observar a dinâmica do sistema solar em ação — e um convite para olhar o céu com mais atenção.

[Fonte: Correio Braziliense]

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