O que funciona no Ancelottismo
A seleção jogou como quem disputa algo grande. Foi competitiva, veloz e agressiva, dando ao amistoso um clima de Copa. Esse jogo reativo, baseado em recuperar a bola e acelerar imediatamente, tem potencial para desmontar qualquer defesa desatenta.
Se o adversário perder a bola na saída ou deixar espaço para Rodrygo, Estevão e Vini Jr., vai sofrer. Os três funcionam como flechas num contra-ataque que lembra os melhores momentos do Real Madrid.
Outro destaque foi Bruno Guimarães, que enfim parece confortável como segundo volante. Atuou de área a área, marcou, pensou o jogo e articulou o ataque — exatamente o que o sistema do italiano pede.
Na defesa, Éder Militão praticamente garantiu a vaga como lateral-zagueiro, resolvendo dois problemas de uma vez: solidez defensiva e saída de bola mais limpa.
O que ainda preocupa no time
O Brasil joga com velocidade o tempo inteiro — e isso cobra um preço. Falta alternância de ritmo. Em várias jogadas, a pressa excessiva leva a perdas de bola desnecessárias, abrindo terreno para contra-ataques perigosos.
O início de jogada com participação do goleiro também precisa de mais treino e sincronia. Ainda há momentos de indecisão que, contra equipes mais fortes, podem custar caro.
Outra dúvida importante: o que acontece quando o adversário não permitir um jogo reativo? Senegal deu espaço. Nem todo rival vai fazer isso. Será que a seleção conseguirá propor o jogo com a mesma eficiência?
Base encaminhada, mas tempo curto
Depois do susto contra o Japão, Ancelotti percebeu que testar demais pode ser um risco — a base titular começa a ganhar forma. Militão se firma pela direita, Casemiro segue como ponto de equilíbrio, e o trio ofensivo tem uma vaga aberta ao lado de Estevão, Vini e Rodrygo.
O Brasil venceu e deixou esperança, mas o Ancelottismo ainda está em construção. O desafio agora é transformar intensidade em controle — e mostrar que o bom futebol não depende apenas de espaços generosos como os que Senegal ofereceu. A próxima partida vai dizer muita coisa.
[Fonte: R7]