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Ciência

Antes dos astronautas, a NASA quer enviar algo para um dos lugares mais misteriosos da Lua

Uma nova missão pretende explorar uma região estratégica da Lua de uma forma nunca vista antes. O projeto pode revelar informações decisivas para os próximos passos da exploração espacial.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O retorno da humanidade à Lua está cada vez mais próximo, mas a NASA sabe que ainda existem muitas perguntas sem resposta. Antes de enviar astronautas para uma das regiões mais desafiadoras do satélite natural, a agência espacial pretende contar com a ajuda de exploradores muito diferentes. A iniciativa promete coletar dados fundamentais sobre o terreno, recursos naturais e condições ambientais de uma área considerada essencial para o futuro da presença humana fora da Terra.

Uma missão que vai abrir caminho para a próxima era da exploração lunar

Durante décadas, as missões lunares foram associadas a imagens de astronautas caminhando sobre a superfície. Agora, porém, a estratégia mudou. Antes de arriscar vidas humanas em regiões pouco conhecidas, a NASA quer mapear e estudar detalhadamente o terreno utilizando equipamentos autônomos.

O projeto recebeu o nome de MoonFall e está sendo desenvolvido sob coordenação do Jet Propulsion Laboratory (JPL). A proposta é levar quatro veículos especiais para o polo sul lunar, uma das áreas mais importantes e ao mesmo tempo menos exploradas da Lua.

O objetivo principal é identificar locais adequados para futuras missões do programa Artemis, além de coletar informações que possam ajudar na construção de uma presença humana permanente na região.

Mas esses veículos não serão drones convencionais.

Ao contrário dos modelos utilizados na Terra, eles não contarão com hélices. Como a Lua praticamente não possui atmosfera, o voo tradicional é impossível. Para superar esse desafio, os engenheiros desenvolveram drones movidos por propulsores, capazes de realizar saltos e deslocamentos controlados sobre a superfície lunar.

Cada unidade terá aproximadamente 250 quilos e será equipada com diversas câmeras de alta resolução. A ideia é registrar imagens detalhadas de áreas que ainda não podem ser observadas adequadamente pelos satélites em órbita.

A missão também contará com o apoio da empresa Firefly Aerospace, responsável por transportar os veículos até a Lua. A nave realizará uma viagem de aproximadamente 45 dias até entrar em órbita lunar e iniciar a etapa de implantação dos drones.

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© NASA

O polo sul lunar pode esconder a chave para uma futura base humana

A escolha do destino não foi feita por acaso.

O polo sul da Lua é considerado uma das regiões mais promissoras para futuras operações espaciais. Isso porque diversos estudos indicam a possível existência de gelo de água em crateras permanentemente sombreadas.

Esses depósitos poderiam se tornar um recurso extremamente valioso. Além de fornecer água para astronautas, o gelo poderia ser convertido em oxigênio para respiração e hidrogênio para produção de combustível.

O problema é que essa mesma região apresenta enormes desafios.

Existem áreas que permanecem na escuridão por períodos extremamente longos, temperaturas extremamente baixas, terrenos acidentados e crateras profundas. Tudo isso dificulta a preparação de missões tripuladas.

Por esse motivo, os drones da MoonFall carregarão instrumentos científicos além das câmeras. Entre eles estão sensores capazes de detectar sinais de água abaixo da superfície, equipamentos para analisar o ambiente de radiação e sistemas que ajudarão a produzir mapas muito mais detalhados do terreno lunar.

Mesmo após o fim de suas operações de voo, parte dos equipamentos poderá continuar funcionando e enviando informações para a Terra durante longos períodos.

A missão faz parte de uma estratégia muito maior. A NASA pretende transformar o polo sul lunar em um ponto central para futuras atividades espaciais, incluindo bases, veículos de exploração e operações de longa duração.

Em outras palavras, antes que os astronautas cheguem, será necessário entender exatamente onde pousar, por onde circular e quais recursos estarão disponíveis.

Por isso, a MoonFall pode acabar desempenhando um papel muito mais importante do que parece. Ela não levará seres humanos à Lua, mas poderá fornecer as informações que tornarão possível uma presença humana sustentável no satélite nas próximas décadas.

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