A capital fluminense já superou os 40°C diversas vezes recentemente, levando a prefeitura a acionar, pela primeira vez, o nível 4 do protocolo municipal de calor extremo, em vigor desde junho de 2024. Esse nível indica que a cidade enfrenta índices de calor muito elevados, com previsão de persistência ou aumento por pelo menos três dias consecutivos.
Para hoje, a expectativa é que os termômetros cheguem a 42°C, fazendo do Rio a capital mais quente do país.
O que causa a onda de calor
Segundo especialistas, as ondas de calor são impulsionadas por bloqueios atmosféricos — sistemas de alta pressão que impedem a formação de nuvens e a chegada de massas de ar mais fresco, como frentes frias. Sem cobertura de nuvens, a radiação solar incide diretamente sobre a superfície, intensificando ainda mais as temperaturas.
Esse fenômeno se agrava em áreas urbanas, onde a ausência de vegetação e a predominância de concreto e asfalto contribuem para a retenção do calor. Regiões com mais vegetação tendem a reter umidade, ajudando a equilibrar a temperatura, enquanto zonas urbanizadas secam rapidamente e absorvem mais calor.
Ondas de calor são cada vez mais comuns — e devem piorar
Com o aumento da temperatura global devido às mudanças climáticas, eventos extremos como ondas de calor passaram a ocorrer com maior frequência e intensidade. Estudos apontam que, antes do período pré-industrial, ondas de calor extremas ocorriam uma vez a cada 10 anos. Com o aquecimento global atingindo 1,5°C acima da média histórica, esse número já subiu para quatro eventos a cada década. Caso o aumento chegue a 4°C, ondas de calor podem ocorrer até 9,4 vezes a cada 10 anos.
Além da maior frequência, a intensidade dessas ondas também está aumentando. Com um aquecimento de 1,5°C, a temperatura média das ondas de calor pode subir quase dois graus adicionais. Se o aumento global alcançar 4°C, essas ondas podem se tornar cinco graus mais quentes do que o normal.
A urbanização crescente também contribui para intensificar esses eventos, criando ilhas de calor urbano, onde a temperatura nas cidades é significativamente maior do que em áreas vizinhas mais arborizadas. O Rio de Janeiro, por exemplo, viu esse fenômeno se intensificar nas últimas décadas, exacerbando ainda mais as temperaturas elevadas.
Como se proteger do calor
Diante das temperaturas extremas, a Prefeitura do Rio de Janeiro implementou protocolos de enfrentamento, incluindo orientações para a população, criação de postos de arrefecimento e até a proibição de eventos em momentos de calor extremo. No entanto, especialistas alertam que ainda há muito a ser feito para mitigar os impactos dessas ondas de calor.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro recomenda algumas medidas para lidar com altas temperaturas:
- Usar protetor solar e reaplicar conforme orientação do fabricante;
- Vestir roupas leves e usar acessórios como boné, chapéu e óculos de sol;
- Evitar atividades físicas nos horários de pico do calor;
- Permanecer em locais ventilados sempre que possível;
- Cuidar com choques térmicos, alternando ar-condicionado e calor externo;
- Evitar bebidas alcoólicas, que podem levar à desidratação;
- Oferecer água fresca e evitar passeios com pets nos períodos mais quentes do dia;
- Manter-se hidratado, consumindo bastante água, frutas, legumes e verduras;
- Utilizar gelo enrolado em panos em regiões estratégicas do corpo, como pescoço, axilas e virilha, para resfriamento;
- Continuar tomando medicamentos regularmente, pois o calor pode impactar quem tem condições médicas preexistentes, como hipertensão e diabetes.
Grupos vulneráveis, incluindo crianças, idosos, gestantes, trabalhadores ao ar livre e atletas, devem redobrar a atenção para evitar problemas de saúde relacionados ao calor extremo. A conscientização e adaptação das políticas públicas são essenciais para minimizar os impactos das ondas de calor, que tendem a se tornar ainda mais frequentes no futuro.
Fonte: BBC