A pesquisa conduzida pelo astrofísico Andrés Escala, publicada na revista Scientific Reports, demonstra que os mamíferos, independentemente de sua espécie ou tamanho, possuem um número surpreendentemente semelhante de ciclos respiratórios durante a vida. Este “número da vida” oferece novas perspectivas sobre o envelhecimento e a relação entre metabolismo e longevidade.
O que é o “número da vida”
Segundo Escala, o “número da vida” é uma constante biológica que indica que mamíferos realizam cerca de 400 milhões de respirações ao longo de sua existência. Este padrão foi identificado ao analisar 16 espécies diferentes, desde ratos até girafas, utilizando um modelo matemático sofisticado.
O estudo mostrou que, embora um gato viva aproximadamente o dobro de um coelho (18 vs. 9 anos), ambos atingem números de respiração próximos a 400 milhões. De forma similar, tartarugas-das-Galápagos, com uma expectativa de vida de 177 anos, realizam cerca de 280 milhões de respirações, enquanto cães, que vivem menos, alcançam em média 310 milhões.
A relação entre ciclos respiratórios e envelhecimento
Escala propõe que os ciclos respiratórios estão diretamente relacionados ao envelhecimento celular. Os subprodutos tóxicos gerados durante a respiração podem causar mutações genéticas, acelerando o envelhecimento. Este “número da vida” destaca como processos metabólicos influenciam a longevidade em nível molecular.
Além disso, o estudo sugere que a respiração pode ser uma unidade-chave para medir a extensão da vida, conectando variáveis como frequência cardíaca, massa corporal e metabolismo.
Implicações futuras da descoberta
A pesquisa abre duas importantes linhas de trabalho para o futuro:
- Científica aplicada: O estudo pode ajudar a entender melhor a mortalidade natural em peixes cultivados, contribuindo para melhorias na indústria pesqueira.
- Científica básica: Pode aprofundar a compreensão das relações ecológicas e metabólicas, oferecendo novas perspectivas para estudos evolutivos e de conservação.
Metodologia e validação científica
O estudo foi baseado em um artigo anterior intitulado “The impact of the cardiovascular component and somatic mutations on ageing”, mas Escala inovou ao utilizar previsões matemáticas previamente validadas. Essas previsões foram contrastadas com dados de 16 espécies de mamíferos, confirmando sua teoria sobre o “número da vida”.
O trabalho foi publicado na revista Scientific Reports sob o título “On the Causal Connection in Lifespan Correlations and the Possible Existence of a ‘Number of Life’ at Molecular Level”, consolidando a descoberta como um avanço significativo na ciência biológica.
Uma nova perspectiva sobre a longevidade
Este estudo não apenas redefine a maneira como entendemos a vida e a longevidade, mas também levanta novas questões sobre os processos biológicos fundamentais. A descoberta do “número da vida” é um marco que une a biologia e a matemática, oferecendo uma visão inovadora sobre o equilíbrio e a complexidade do reino animal.
Fonte: Infobae