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Ciência

Astrônomos descobrem vulcão escondido em Marte — e isso pode mudar tudo

Uma montanha até então ignorada no planeta vermelho pode esconder um vulcão que moldou a paisagem marciana — e talvez tenha criado condições para a vida.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um grupo de cientistas acaba de revelar uma descoberta surpreendente: uma formação rochosa próxima à cratera Jezero, em Marte, pode ser, na verdade, um antigo vulcão. O achado oferece não apenas pistas sobre a geologia do planeta, mas também alimenta esperanças de que o local possa ter abrigado vida no passado.

 

Uma montanha suspeita na cratera mais estudada de Marte

A cratera Jezero é uma das regiões mais analisadas do planeta vermelho, conhecida por ter abrigado um antigo lago. Mas os olhos atentos do astrobiólogo James Wray, da Georgia Tech, perceberam algo diferente ainda em 2007: uma montanha solitária em sua borda que se parecia, para ele, com um vulcão.

Na época, as imagens disponíveis tinham baixa resolução e os esforços científicos estavam voltados para investigar o lado oposto da cratera, onde havia indícios de atividade aquática. A montanha misteriosa ficou de lado por anos — até agora.

 

Perseverance muda o jogo

Tudo mudou quando o rover Perseverance pousou em Marte em 2021. Projetado para coletar amostras do solo, estudar o clima e preparar o caminho para missões humanas, o robô enviou dados inesperados: o fundo da cratera Jezero, supostamente sedimentar devido à água, era formado por rocha ígnea — o tipo de rocha associada a vulcões.

Intrigado, Wray buscou explicações e uniu forças com Sara Cuevas-Quiñones, estudante da Universidade Brown. Juntos, analisaram dados de quatro sondas orbitais — Mars Odyssey, Mars Reconnaissance Orbiter, ExoMars Trace Gas Orbiter — além do próprio Perseverance.

 

Sinais claros de atividade vulcânica

A análise revelou que a montanha, chamada Jezero Mons, tem tamanho, formato e características semelhantes a outros vulcões marcianos, como Zephyria Tholus e Apollinaris Tholus, e até ao Monte Sidley, na Antártica. Além disso, sua superfície não tem crateras de impacto — o que indica juventude geológica — e não retém calor, sinal de que pode estar coberta por cinzas vulcânicas.

Outro indício forte: encostas do lado noroeste da montanha lembram antigas bordas de fluxos de lava que parecem chegar até o fundo da cratera. Isso explicaria por que Perseverance encontrou rochas vulcânicas ali.

Embora não seja uma prova definitiva, os indícios são os mais fortes até hoje de que Jezero Mons é mesmo um vulcão.

 

Um vulcão perto de um lago: a combinação ideal para vida?

Se Jezero Mons for confirmado como vulcão ativo no passado, isso pode indicar que houve atividade hidrotermal na região. Em locais assim, a água quente circula por entre as rochas, criando condições propícias para microrganismos — como ocorre em ambientes extremos da Terra.

Ou seja, a proximidade entre um vulcão e um antigo lago transforma a cratera Jezero em um candidato ideal para a busca por sinais de vida marciana no passado.

 

E agora?

A confirmação definitiva depende das amostras coletadas por Perseverance. Por meio de datação por radioisótopos, será possível determinar a idade das rochas e reconstruir com precisão a história geológica da região.

O problema? Ainda não há um plano oficial para trazer essas amostras à Terra. A missão Mars Sample Return (MSR), que cuidaria disso, está em análise e pode ser cancelada por corte orçamentário. O orçamento de 2026, proposto pelo ex-presidente Donald Trump, ameaça encerrar o programa por considerá-lo “excessivamente caro”.

Mesmo assim, Wray se mantém esperançoso. “Se essas amostras chegarem à Terra, poderemos fazer ciência revolucionária com elas”, declarou.

 

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