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Astrônomos flagram estrela “morta” devorando objeto parecido com Plutão

Com a ajuda do telescópio Hubble, cientistas descobriram uma anã branca que vem “se alimentando” de um pequeno planeta gelado, rico em nitrogênio, carbono e oxigênio. A cena cósmica ajuda a entender como sistemas planetários morrem — e o que pode acontecer com o nosso.

O espaço pode ser implacável. Em meio à poeira estelar e à gravidade extrema, até mesmo mundos inteiros acabam sendo despedaçados. Foi exatamente isso que astrônomos observaram ao estudar a estrela WD 1647+375, uma anã branca — núcleo denso deixado para trás por uma estrela moribunda.

Segundo pesquisa publicada em setembro no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, a estrela estava “digerindo” os restos de um objeto gelado semelhante a Plutão.

Um “crime cósmico” em andamento

As atmosferas de anãs brancas costumam ser compostas por hélio e hidrogênio. Mas WD 1647+375 exibia elementos incomuns, como carbono, enxofre, oxigênio e nitrogênio, revelando que havia engolido algo diferente: fragmentos de um mundo gelado.

“Anãs brancas funcionam como cenas de crime cósmicas”, explicou a pesquisadora Snehalata Sahu, autora principal do estudo. “Os elementos deixados na atmosfera são como impressões digitais químicas, permitindo identificar a vítima.”

Um detalhe chamou a atenção: a abundância de nitrogênio, considerado um marcador essencial de mundos gelados. “Sabemos que a superfície de Plutão é coberta de gelo de nitrogênio”, disse Sahu. “Acreditamos que a estrela tenha absorvido pedaços da crosta e do manto de um planeta anão.”

Um banquete que dura mais de uma década

Os sinais ultravioletas captados pelo Hubble indicam que a estrela está nesse “banquete” há pelo menos 13 anos, devorando cerca de 200 mil quilos de material por segundo. Os cálculos sugerem que o objeto engolido teria ao menos 5 km de diâmetro — algo comparável a um pequeno planeta anão da região conhecida como Cinturão de Kuiper, o mesmo que abriga Plutão e outros corpos gelados.

Janelas para o passado e o futuro

Segundo os pesquisadores, a descoberta ajuda a compreender tanto o passado de outros sistemas planetários quanto o futuro do nosso. Objetos gelados como cometas e planetesimais podem ser cruciais para espalhar água e moléculas voláteis em planetas rochosos, aumentando as chances de vida em outros mundos.

Por outro lado, WD 1647+375 também oferece um vislumbre do destino da Terra. Nosso Sol um dia se tornará uma anã branca, e quando isso acontecer, os planetas do sistema solar poderão ter o mesmo destino do objeto devorado por essa estrela distante.

“Se observadores alienígenas olharem para o nosso sistema no futuro distante”, concluiu Sahu, “eles poderão ver os mesmos tipos de restos que hoje encontramos em torno dessa anã branca.”

O espetáculo brutal registrado pelo Hubble mostra como a vida e a morte de sistemas planetários se entrelaçam. Estrelas que um dia iluminaram mundos podem acabar devorando-os — lembrando que até Plutões podem virar poeira cósmica.

 

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