Pular para o conteúdo
Ciência

Astrônomos rastreiam sinais misteriosos mais energéticos que o Sol

Pesquisadores identificaram emissões cósmicas extremamente intensas, capazes de liberar em milissegundos a energia que o Sol emite em um dia inteiro. Descubra como essa descoberta pode mudar nossa compreensão do universo.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Os sinais rápidos de rádio (FRBs, na sigla em inglês) são um dos maiores enigmas da astronomia moderna. Essas breves e intensas emissões de ondas de rádio foram detectadas pela primeira vez em 2007 e, desde então, intrigar astrônomos ao redor do mundo. Com origem desconhecida, os FRBs liberam uma quantidade impressionante de energia em frações de segundo, tornando-se alvos de pesquisas avançadas.

Sinais cósmicos enigmáticos

Os FRBs foram rastreados a bilhões de anos-luz da Terra e dentro da própria Via Láctea. Recentemente, quatro novos estudos trouxeram avanços significativos para a compreensão dessas misteriosas rajadas de rádio. No entanto, as origens desses sinais continuam variadas e enigmáticas.

Algumas das rajadas foram rastreadas até ambientes altamente magnéticos e turbulentos, próximos a magnetares – um tipo denso de estrela de nêutrons. Outras, porém, foram detectadas na periferia de galáxias “mortas”, onde a formação de novas estrelas é mínima. Essa diversidade de locais sugere que diferentes processos podem estar gerando os FRBs.

Uma nova abordagem para decifrar os FRBs

Para identificar essas emissões cósmicas, os astrônomos utilizaram o CHIME (Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment), um radiotelescópio especializado na detecção de sinais rápidos de rádio. Desde 2020, essa tecnologia avançada tem permitido a captação de milhares de FRBs, contribuindo significativamente para a compreensão do fenômeno.

“Cada novo dado sobre os FRBs nos aproxima da resolução desse grande mistério cósmico”, afirmou Ryan Mckinven, principal autor dos estudos. Ele destacou que os sinais são comuns no universo, mas suas verdadeiras origens ainda não foram completamente decifradas.

A origem cintilante dos FRBs

Em 2022, uma equipe internacional de pesquisadores detectou um FRB particularmente interessante, denominado FRB 20221022A. A rajada, que durou apenas 2,5 milissegundos, apresentava um brilho altamente polarizado – um indício de que suas ondas de rádio foram afetadas por um forte campo magnético rotacional.

A análise desse padrão levou os cientistas a associar o sinal a magnetares, estrelas de nêutrons extremamente magnetizadas que liberam grandes quantidades de energia. Estudos complementares indicaram que esse FRB específico se originou a 200 milhões de anos-luz da Terra, dentro de uma galáxia em rápida rotação.

Explorando diferentes hipóteses

Os cientistas trabalham com duas teorias principais para explicar a formação dos FRBs:

  1. Formação no ambiente magnético próximo a uma estrela de nêutrons, onde os sinais são gerados e amplificados pelas intensas forças magnéticas.
  2. Criação distante, impulsionada por uma onda de choque, lançada por explosões estelares ou interações com o meio interestelar.

Para diferenciar esses cenários, os pesquisadores analisaram a cintilação dos sinais – um efeito de brilho causado pela passagem das ondas de rádio por meio interestelar composto por gás e poeira.

“A presença desse fenômeno indica que a região de origem do FRB deve ser extremamente pequena”, explicou a astrofísica Kenzie Nimmo, do MIT. Segundo os pesquisadores, essa descoberta reforça a teoria de que os FRBs se formam na magnetosfera de magnetares.

Rastreando FRBs em galáxias distantes

Outro FRB intrigante, chamado FRB 20240209A, foi detectado em fevereiro de 2024 e apresentou um comportamento peculiar: ele emitiu 21 pulsos adicionais nos meses seguintes. Esse padrão diferenciado levou os cientistas a investigarem sua origem com telescópios adicionais.

O rastreamento revelou que o FRB veio da borda de uma galáxia antiga, de 11,3 bilhões de anos, localizada a 2 bilhões de anos-luz da Terra. Esse achado surpreendeu os cientistas, pois tal localização é considerada uma região estelarmente “morta”, onde novas estrelas raramente se formam.

“Essa é uma das galáxias hospedeiras de FRBs mais massivas já identificadas”, afirmou a pesquisadora Tarraneh Eftekhari, da Universidade Northwestern.

Os próximos passos da pesquisa

Os cientistas pretendem utilizar o Telescópio Espacial James Webb para aprofundar as investigações sobre a origem desses sinais. A análise da luz emitida nas regiões de onde os FRBs se originam poderá fornecer pistas cruciais sobre sua formação.

Os estudos indicam que alguns FRBs podem se formar em ambientes extremamente magnetizados ao redor de magnetares, enquanto outros podem estar ligados a processos estelares em regiões inesperadas do universo. “Cada descoberta nos leva um passo mais perto de compreender um dos fenômenos mais intrigantes do cosmos”, concluiu Eftekhari.

Com os avanços na tecnologia de detecção de FRBs e o uso de telescópios cada vez mais potentes, astrônomos esperam desvendar, em breve, a verdadeira origem desses sinais cósmicos enigmáticos.

[Fonte: CNN Brasil]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados