Um novo estegossauro chegou ao Museu de História Natural — claro, não literalmente, pois custou US$ 44,6 milhões e precisaria de guardas de segurança por onde passasse.
O estegossauro, chamado Apex, foi descoberto perto de Dinosaur, no Colorado, em 2022. O comprador que desembolsou essa quantia recorde em julho foi o bilionário de fundos de investimento Ken Griffin (seu nome também aparece no átrio do novo Centro Gilder para Ciência, Educação e Inovação do museu). Agora, o fóssil de 150 milhões de anos ficará exposto por quatro anos no Museu de História Natural dos EUA, onde paleontólogos poderão estudá-lo para entender melhor o icônico herbívoro jurássico.
Sobre o Apex: tamanho impressionante e mistérios sobre sua espécie
O Apex mede 3 metros de altura e 8 metros de comprimento, tornando-se um dos estegossauros mais completos e grandes já encontrados. Por enquanto, está em exibição no primeiro andar do Centro Gilder, mas eventualmente será transferido para o salão de dinossauros no quarto andar do museu.
Três espécies de estegossauros habitaram o oeste da América do Norte no final do período jurássico, mas os cientistas ainda não sabem exatamente a qual espécie Apex pertence.
“Uma das coisas que queremos entender são as mudanças na estrutura do esqueleto à medida que o animal crescia”, explicou Roger Benson, paleontólogo do Museu de História Natural e curador de fósseis de anfíbios, répteis, aves e plantas fósseis, em entrevista à Gizmodo.
Crescimento lento, metabolismo curioso

Os paleontólogos do museu irão estudar o enorme fêmur do animal para compreender melhor seu crescimento e criar um modelo tridimensional do dinossauro. Como Apex é um indivíduo adulto, a análise do fêmur será especialmente útil para traçar uma curva de crescimento dos estegossauros.
Pesquisas recentes sugerem que esses dinossauros poderiam ter um metabolismo mais lento em comparação com outras espécies, o que torna a idade e a taxa de crescimento do animal ainda mais relevantes. Animais com metabolismos mais lentos geralmente crescem mais devagar, e o estudo dos ossos de Apex poderá fornecer os melhores dados até agora sobre a vida desses dinossauros.
Uma autolesão intrigante e um fóssil bem preservado
Pouco se sabe sobre o que aconteceu a Apex enquanto estava vivo, mas há uma marca intrigante em seu coracóide (osso próximo ao ombro) que contém um pequeno fragmento de osso. Esse fragmento é a ponta de um cheurón, uma das pontiagudas espículas do “tagomizador” — a ponta da cauda do estegossauro coberta de púas intimidadoras.
“Quando morreu”, explicou Benson, “o estegossauro estava meio enrolado sobre si mesmo”. A ponta do cheurón perfurou seu ombro esquerdo, quebrando um pedaço de osso que ficou ali preso. Fora essa autolesão, Apex está em excelente estado de conservação.
“Ele foi enterrado relativamente rápido, e por algum motivo, os carniceiros não danificaram muito o esqueleto. Às vezes, temos sorte”, comentou Benson.
O público poderá admirar o fóssil de 150 milhões de anos a partir de domingo, 9 de dezembro. Após seus quatro anos no museu, o destino de Apex será decidido por seu proprietário, Ken Griffin.