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Captain America: Brave New World – Uma Decepção Sem Bravura Nem Novidade

Anthony Mackie assume o escudo, mas nem ele consegue salvar o filme da previsibilidade. Descubra por que este é um dos filmes mais fracos do Universo Marvel.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Meu momento favorito em Captain America: Brave New World durou cerca de dois segundos. Em uma das melhores cenas de ação do filme, o Capitão América e o Falcão tentam impedir que dois caças ataquem exércitos de vários países. Explosões, tiros de metralhadora e, em um instante fugaz, o Capitão América para um mísse montando-o como uma prancha de surfe. Nesse breve momento, percebi o que o filme estava faltando: algo único e divertido.

Um Legado Sem Inovação

Este é o quarto filme centrado no Capitão América, mas o primeiro com Sam Wilson (Anthony Mackie) empunhando o escudo. Essa transição aconteceu em Avengers: Endgame (2019) e foi explorada com mais profundidade na série The Falcon and the Winter Soldier (2021). O enredo é uma sequência direta de The Incredible Hulk (2008), o que torna a proposta de “novo” e “bravo” bastante questionável. Tudo parece mais “tentado” e “conhecido”.

Thaddeus Ross (Harrison Ford, substituindo o falecido William Hurt) agora é o presidente dos Estados Unidos e enfrenta as consequências de Eternals (2021), quando o corpo de um ser celestial foi deixado na Terra. Ross tenta negociar um tratado para distribuir os recursos da ilha, sendo o adamantium o mais cobiçado. Embora esse elemento seja novo no MCU, sua importância nunca é adequadamente explicada no filme, deixando o público perdido, a menos que conheça os quadrinhos.

Tramas Emaranhadas e Vilões Subutilizados

Entre o progresso do tratado, o Capitão América e seu amigo Joaquin Torres (Danny Ramirez), que está assumindo o papel de Falcão, se envolvem em uma série de eventos previsíveis: roubam um pacote secreto, veem um amigo ser incriminado por assassinato e descobrem um complô liderado por Samuel Sterns (Tim Blake Nelson), um vilão que tem rixa com Ross desde o segundo filme do MCU. Apesar do potencial, Sterns é mantido nas sombras até o final, o que reduz seu impacto.

O filme alterna entre longos e cansativos momentos de exposição, cenas de ação sem propósito e uma narrativa simples mascarada por complexidade desnecessária. Tudo culmina na transformação de Ross em Red Hulk, um “grande” momento que já havia sido revelado em todos os materiais promocionais. A falta de suspense é gritante e a cena final se assemelha a qualquer outra batalha com o Hulk que já vimos antes.

Elenco que Brilha em Meio à Mediocridade

Apesar dos problemas do roteiro, o elenco consegue se destacar. Anthony Mackie finalmente assume o papel de Capitão América com carisma e confiança, mesmo que o filme não consiga acompanhar sua energia. Harrison Ford também brilha, trazendo intensidade ao seu papel. Shira Haas, interpretando Ruth Bat-Seraph, é hipnotizante, apesar de ter um arco pouco claro. Danny Ramirez oferece momentos de leveza, enquanto Tim Blake Nelson e Giancarlo Esposito tentam elevar suas performances, mesmo conscientes das limitações do filme.

Identidade Perdida e Falta de Direção

O diretor Julius Onah parece acreditar estar criando um thriller político sofisticado, reminiscentes de Captain America: The Winter Soldier, mas Brave New World carece de identidade e propósito. O filme não sabe o que quer ser ou dizer, e sua história carece de drama significativo. Mesmo as cenas que tentam transmitir emoção são rapidamente ofuscadas por exposição excessiva e motivações rasas.

Embora haja algumas referências para os fãs do MCU, incluindo uma cena pós-créditos, nada é suficiente para tornar Captain America: Brave New World uma adição memorável ao universo. Anthony Mackie é um sucessor digno de Chris Evans, mas o filme é uma produção de baixo nível com um enredo entediante e poucas apostas emocionais.

Captain America: Brave New World estreia nesta sexta-feira, 14 de fevereiro. Feliz Dia dos Namorados?

 

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