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Ciência

Cientistas afirmam que o núcleo interno da Terra se deformou nas últimas duas décadas

A velocidade de rotação e a forma da camada mais profunda da Terra têm apresentado mudanças surpreendentes.
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Tempo de leitura: 2 minutos

No centro do nosso planeta, há uma esfera muito quente e rotativa composta principalmente de ferro e níquel (desculpem, fãs de Viagem ao Centro da Terra). Os cientistas inferem características dessa camada geográfica mais interna — como o fato de ser dividida em um núcleo externo líquido e um núcleo interno sólido — analisando como ela distorce as ondas sísmicas causadas por terremotos.

Usando esse método, sismólogos dos Estados Unidos e da China ampliaram estudos anteriores para sugerir que, nas últimas duas décadas, ocorreram mudanças tanto na forma quanto na taxa de rotação do núcleo interno. O trabalho deles, detalhado em um estudo publicado hoje na revista Nature Geoscience, lança luz sobre dinâmicas até então desconhecidas que ocorrem a 2.900 quilômetros abaixo de nossos pés.

Terremotos repetidos produzem ondas sísmicas semelhantes em momentos diferentes. Ao analisar essas ondas que atravessam o núcleo da Terra, os cientistas conseguem rastrear mudanças no núcleo ao longo do tempo. Pesquisas anteriores usando esse método sugeriram que, por volta de 2010, a rotação do núcleo interno desacelerou para uma taxa inferior à do restante do planeta — depois de anteriormente girar mais rápido —, segundo os pesquisadores.

No estudo recente, o sismólogo John E. Vidale, da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, e seus colegas analisaram pares de terremotos repetidos de antes e depois de 2010. Eles focaram em casos nos quais, quando o segundo terremoto ocorreu, a rotação do núcleo interno havia retornado à mesma posição do primeiro terremoto. Isso significava que qualquer diferença entre as ondas sísmicas dos dois terremotos não poderia ter sido causada pela taxa de rotação.

A equipe então descobriu que os pares de ondas sísmicas que atravessaram regiões rasas do núcleo interno — áreas próximas à sua fronteira com o núcleo externo — mostraram diferenças surpreendentes. Os pesquisadores sugerem que essas diferenças podem indicar mudanças na forma do núcleo interno do nosso planeta.

“As mudanças próximas à fronteira do núcleo interno provavelmente resultam de uma deformação viscosa, impulsionada pelo acoplamento entre a topografia da fronteira e as anomalias de densidade do manto ou pela tração no núcleo interno causada pela convecção do núcleo externo”, explicaram os pesquisadores no estudo. Em outras palavras, a forma do núcleo interno pode estar mudando com o tempo devido a interações complexas entre as camadas da Terra.

Os pesquisadores concluíram que as mudanças nas ondas sísmicas que atravessam o núcleo interno são provavelmente causadas tanto pela rotação quanto pela atividade próxima à sua fronteira, ajudando a resolver um debate de longa data.
“Pesquisas anteriores propuseram que o núcleo interno passou por mudanças de rotação ou de forma ao longo do tempo, mas não ambos simultaneamente”, explicaram os pesquisadores em um comunicado.

Embora esses resultados possam não ter um impacto óbvio na vida cotidiana das pessoas, eles oferecem uma visão sobre os mecanismos obscuros que mantêm em funcionamento o planeta que chamamos de lar.

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