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Ciência

Cientistas confirmam a existência de um continente submerso que pode mudar tudo o que sabemos sobre a Terra

Pesquisadores identificaram com precisão a localização de Zealandia, uma imensa massa continental oculta sob o Oceano Pacífico. Com cinco milhões de quilômetros quadrados, ela desafia as definições tradicionais de continente e promete reescrever parte da história geológica do planeta.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, cientistas suspeitavam da existência de uma grande estrutura submersa ao leste da Austrália. Agora, novas evidências confirmam: Zealandia é um continente verdadeiro, embora 95% de sua superfície esteja atualmente submersa. A descoberta tem potencial para transformar a maneira como entendemos a formação da crosta terrestre, os movimentos tectônicos e até a origem dos continentes que hoje conhecemos.

O continente que emergiu do passado

Zelandia 1
© X/@SecretoDruidas

Zealandia não é um pedaço isolado de rochas submarinas, como muitos pensavam. Trata-se de uma extensão geológica coerente, com estrutura e composição comparáveis às de continentes oficialmente reconhecidos. Segundo os geólogos, sua origem está ligada ao antigo supercontinente Gondwana, que há mais de 100 milhões de anos incluía partes da América do Sul, África, Antártida, Austrália e Ásia.

Estudos liderados por Nick Mortimer, do instituto neozelandês GNS Science, apontam que Zealandia começou a se separar de Gondwana há cerca de 85 milhões de anos. Inicialmente acima do nível do mar, o continente acabou sendo submerso após intensas transformações tectônicas que afinariam sua crosta e permitiriam a entrada do oceano.

Como a ciência confirmou Zealandia

A confirmação de Zealandia como continente veio a partir do uso de técnicas modernas, como a geocronologia — que mede a idade das rochas por meio do decaimento radioativo — e o mapeamento magnético, que detecta padrões ligados à atividade geológica.

Por meio da análise de amostras coletadas com equipamentos de dragagem avançada, os pesquisadores encontraram arenito, rochas vulcânicas e lavas basálticas datadas entre o Cretáceo e o Eoceno, o que fortalece a hipótese de que Zealandia teve uma história geológica contínua e própria.

Esses dados foram complementados com estudos de anomalias magnéticas e imagens sísmicas, revelando padrões compatíveis com a formação de grandes massas continentais. As unidades geológicas identificadas na parte norte de Zealandia mostraram coerência interna, reforçando a classificação da região como um verdadeiro continente.

Por que Zealandia ficou submersa

A submersão de Zealandia está diretamente relacionada à movimentação das placas tectônicas. O afinamento da crosta continental permitiu que o oceano cobrisse a maior parte de sua superfície. Ainda assim, algumas partes permanecem acima da água — como é o caso das ilhas que formam a Nova Zelândia.

Além de seu valor científico, o achado ajuda a entender melhor os processos de deriva continental, o comportamento das placas tectônicas e o impacto desses fenômenos sobre o clima, os ecossistemas e a biodiversidade ao longo do tempo.

Impacto para o futuro da geologia

A confirmação da existência de Zealandia reforça a necessidade de revisar os critérios usados para definir o que é um continente. Embora outras formações submersas também sejam estudadas como possíveis microcontinentes, nenhuma apresenta a extensão e consistência estrutural de Zealandia.

Com o avanço de tecnologias como a perfuração em águas profundas e as imagens sísmicas de alta resolução, espera-se que novas descobertas revelem mais detalhes sobre sua história, composição interna e influência na geografia antiga e atual do planeta.

O reconhecimento de Zealandia como continente não apenas corrige uma lacuna científica, mas também amplia os horizontes sobre como os continentes surgem, se fragmentam e influenciam a Terra ao longo de milhões de anos. A pesquisa sobre esse território submerso continua, e seus desdobramentos prometem reformular parte importante da geologia moderna.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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