Em 5 de outubro de 2024, um terremoto atingiu o Irã e, minutos depois, especulações sobre um suposto teste nuclear começaram a circular nas redes sociais. No entanto, uma pesquisa publicada na revista Seismica em 3 de fevereiro de 2025, liderada por Benjamin Fernando da Universidade Johns Hopkins, desmentiu categoricamente essas alegações, demonstrando que o tremor foi um evento sísmico natural.
A Análise Científica do Terremoto
O estudo utilizou dados públicos de estações de monitoramento sísmico para analisar o evento. Os cientistas concluíram que o terremoto resultou de uma falha reversa, um tipo de movimento associado à colisão das placas tectônicas Arábica e Eurasiana. “Os testes nucleares têm assinaturas muito diferentes, que são explosivas”, explicou Fernando, eliminando qualquer relação com atividades nucleares.
O Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO) também confirmou que terremotos semelhantes ocorreram na região em 2015 e 2018, reforçando a conclusão de que o Irã é uma área sismicamente ativa devido à sua localização geológica.
O Papel da Desinformação nas Redes Sociais
Apesar das evidências científicas, rumores sobre a natureza não natural do terremoto se espalharam rapidamente. Segundo o estudo, a primeira postagem sugerindo um ataque israelense apareceu menos de 20 minutos após o tremor, enquanto a primeira menção a um teste nuclear surgiu 27 minutos depois. A desinformação se espalhou, com interpretações erradas de dados sísmicos e teorias da conspiração ganhando destaque.
Os pesquisadores identificaram padrões de envolvimento substancial nas redes sociais que sugerem uma tentativa deliberada de desinformar, possivelmente conduzida por indivíduos com conhecimento especializado em sismologia.
Cobertura da Mídia e o Impacto Global
O estudo observou que a mídia internacional, incluindo veículos nos EUA, França, Reino Unido, Israel e outros países, frequentemente especulou sobre a possibilidade de um teste nuclear, contribuindo para a propagação da desinformação. Em contraste, a mídia de língua persa relatou o evento com mais precisão, confiando em especialistas locais.
Sugestões para Combater a Desinformação Científica
Para evitar a disseminação de desinformação em eventos futuros, os cientistas recomendam que agências científicas emitam relatórios detalhados rapidamente e que plataformas de redes sociais amplifiquem conteúdos de contas verificadas de especialistas. Parcerias entre redes sociais e agências como o U.S. Geological Survey também poderiam ajudar a conter narrativas enganosas.
O estudo destaca o potencial impacto global da desinformação científica, mostrando como interpretações erradas de dados complexos podem intensificar tensões geopolíticas e gerar crises internacionais.