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Tecnologia

Coinbase impõe novas regras contra hackers: presencialidade obrigatória e mais barreiras de segurança

A gigante das criptomoedas tomou uma decisão radical: limitar o trabalho remoto e exigir medidas rígidas de verificação para evitar infiltrações de hackers norte-coreanos. A estratégia busca proteger bilhões em ativos digitais diante de ameaças crescentes e de tentativas cada vez mais sofisticadas de fraude.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O que começou como um debate sobre produtividade no home office se transformou em questão de sobrevivência empresarial. A Coinbase, um dos maiores exchanges de criptomoedas do mundo, anunciou mudanças drásticas em sua política de trabalho remoto após detectar tentativas sistemáticas de infiltração por parte de agentes ligados à Coreia do Norte. A empresa agora exige maior controle físico e digital de seus funcionários.

A ameaça que forçou a mudança

A partir de agora, todos os novos contratados deverão viajar aos Estados Unidos para um treinamento presencial. Quem tiver acesso a informações críticas precisará ser cidadão americano e passar por verificações biométricas, como coleta de digitais.

O motivo é claro: tanto o FBI quanto a própria empresa confirmaram que grupos norte-coreanos buscam se infiltrar em equipes remotas para roubar dados e criptomoedas. Essas operações contam até com cúmplices em solo americano, responsáveis por reenviar laptops, participar de entrevistas falsas e montar empresas de fachada.

O papel das criptomoedas para Pyongyang

O regime de Kim Jong-un vê no roubo de ativos digitais uma forma central de financiar seu programa nuclear. Apenas em 2024, hackers norte-coreanos foram responsabilizados pelo desvio de US$ 1,4 bilhão da corretora Bybit.

Segundo Brian Armstrong, CEO da Coinbase, os ataques se multiplicam em ritmo alarmante: “É como se a cada trimestre se formassem 500 novos candidatos falsos, prontos para burlar nossos filtros de contratação”, afirmou em tom de alerta.

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© FreePik

Segurança interna sob suspeita

Não é só a ameaça externa que preocupa. A companhia identificou casos de suborno de funcionários, que recebiam centenas de milhares de dólares para repassar informações confidenciais. Alguns chegaram a introduzir celulares em áreas restritas para fotografar telas com dados de clientes.

Para conter riscos, a Coinbase reforçou protocolos: laptops Chromebook de alta segurança, acesso restrito a informações e monitoramento rigoroso. Armstrong foi direto: “Quando descobrimos alguém, não o acompanhamos até a porta; ele vai para a prisão”.

O impacto no modelo de trabalho

A empresa inaugurou um escritório na Carolina do Norte para centralizar atividades críticas e aumentar a supervisão. As entrevistas de emprego agora exigem câmera ligada, reduzindo o risco de manipulação externa em tempo real.

A decisão marca um precedente importante: se até uma companhia nativa digital e referência em criptomoedas não consegue garantir plena segurança no teletrabalho, outros setores estratégicos — como defesa, finanças e tecnologia — podem repensar a flexibilização implantada durante a pandemia.

O caso da Coinbase expõe um dilema global: até que ponto o trabalho remoto pode conviver com a segurança máxima exigida em tempos de ciberameaças cada vez mais sofisticadas?

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