A passagem de um cometa interestelar pelo Sistema Solar é um evento raro. Até hoje, apenas três corpos desse tipo foram confirmados pelos astrônomos. Entre eles está o 3I/ATLAS, que atingiu seu periélio — o ponto mais próximo do Sol — em 29 de outubro e agora volta a surgir no campo de visão da Terra. A reaproximação está despertando grande interesse científico, especialmente porque o calor solar está desencadeando processos físicos que revelam sua composição interna.
Quem primeiro registrou o retorno do cometa após o periélio foi o astrônomo Qicheng Zhang, pesquisador no Observatório Lowell, no Arizona (EUA). A partir dessas primeiras observações, o mesmo especialista preparou uma série de indicações úteis para astrônomos amadores — inclusive aqueles com telescópios pequenos — que desejam tentar localizar o 3I/ATLAS no céu.
Onde o cometa está agora

Após ser identificado com o poderoso telescópio Discovery, Zhang conseguiu avistar o cometa com um equipamento bem mais acessível: um telescópio refletor Ritchey-Chrétien de 152 mm. No momento das observações mais recentes, o 3I/ATLAS se encontrava a cerca de 16 graus do Sol, o que significa que ele só pode ser visto no início da manhã, pouco antes do amanhecer.
Para quem vai tentar observá-lo no Brasil, a regra principal é clara:
- Procure um horizonte leste totalmente livre, sem prédios, morros ou árvores.
- Observe minutos antes do nascer do Sol, quando ainda está escuro, mas o céu começa a clarear.
A luminosidade do cometa ainda é muito fraca, então qualquer poluição luminosa atrapalha. Locais afastados de centros urbanos aumentam bastante as chances de sucesso.
O que você vai ver (por enquanto)
É importante calibrar as expectativas: o cometa não está brilhante. Ainda não possui cauda destacada ou corpo visível a olho nu. Na maioria dos telescópios amadores, ele aparecerá como uma pequena mancha esbranquiçada, semelhante a um borrão tênue no céu. Esse aspecto é normal, pois o cometa ainda está se afastando do brilho intenso do Sol.
Segundo Zhang, conforme ele continuar seu movimento e ganhar distância angular da estrela, a visibilidade deve melhorar gradualmente nas próximas semanas. Em breve, telescópios médios e grandes ao redor do mundo começarão a monitorá-lo com mais precisão, o que resultará em dados adicionais sobre sua trajetória e brilho.
Por que este cometa é tão especial
O 3I/ATLAS é classificado como um cometa interestelar, ou seja, não se formou junto com o Sol e os planetas. Ele veio de um outro sistema estelar e atravessa o nosso apenas de passagem. Seu comportamento, composição e trajetória ajudam os cientistas a entender:
- como se formam cometas em outras regiões da galáxia,
- se os elementos químicos presentes neles são parecidos ou completamente diferentes,
- e como materiais orgânicos ou voláteis se distribuem entre sistemas estelares.
Quando o cometa passou próximo ao Sol, parte de seu gelo sublimou, transformando-se diretamente em gás. Esse processo expõe camadas internas que não eram visíveis antes, permitindo análises químicas que podem revelar sua origem.
Quando o cometa ficará mais fácil de observar

As projeções atuais indicam que o 3I/ATLAS deve oferecer seu melhor espetáculo em dezembro de 2025, quando passará mais perto da Terra. Até lá, ele ficará progressivamente mais visível, mas ainda exigirá cuidado na observação.
Para quem quiser tentar acompanhá-lo desde já, as principais recomendações são:
- Usar mapas estelares atualizados (como Stellarium, SkySafari ou Heavens-Above).
- Evitar qualquer fonte de luz artificial.
- Ser paciente: localizar objetos tênues exige treino.
O 3I/ATLAS não será um cometa brilhante como o Hale-Bopp ou o Neowise, mas sua importância científica é enorme. Afinal, estamos observando um viajante vindo de um outro canto da galáxia — algo que, até poucas décadas atrás, parecia ficção científica.
[ Fonte: Canal12 Misiones ]