A creatina, amplamente conhecida no universo esportivo, está ganhando espaço em outra área: a saúde cerebral. Pesquisas recentes destacam seus benefícios no combate ao declínio cognitivo e na otimização de funções mentais como memória e foco. Embora promissora, essa substância ainda divide opiniões sobre sua eficácia em diferentes contextos.
Os benefícios da creatina para o cérebro
Originalmente popularizada por sua capacidade de melhorar o desempenho físico, a creatina agora está sendo investigada por seu potencial impacto no cérebro. Sua eficácia está ligada ao aumento dos níveis de adenosina trifosfato (ATP), que fornece energia às células. Como o cérebro consome grandes quantidades de energia, manter altos níveis de ATP pode melhorar a memória, a atenção e o processamento de informações.
Uma revisão publicada em Frontiers of Nutrition em 2024 analisou 16 estudos e concluiu que a creatina pode melhorar significativamente as funções cognitivas em adultos. Além disso, outro estudo em Scientific Reports mostrou que uma dose de 15 a 20 gramas pode compensar os efeitos negativos de uma noite mal dormida, potencializando o desempenho mitocondrial no cérebro.
De suplemento esportivo a aliado mental
Com o apoio de influenciadores como o neurocientista Andrew Huberman, figuras como Drew Dible, um farmacêutico americano, passaram a incorporar a creatina em suas rotinas com foco na saúde mental. Antes restrita ao universo esportivo, a creatina agora aparece em produtos como barras de proteína e bebidas, refletindo sua crescente popularidade.
O mercado global da creatina reflete essa tendência, com um valor estimado de 501 milhões de dólares e previsão de crescimento para 923 milhões até 2033, segundo a Future Market Insights. Empresas de suplementos estão promovendo seus benefícios cognitivos, ampliando seu apelo para além do público esportivo.
Limitações e debates sobre a dose ideal
Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que os efeitos cognitivos da creatina são mais evidentes em pessoas com deficiências energéticas ou alta demanda cerebral, como privação de sono. Para jovens saudáveis, os resultados tendem a ser menos significativos, conforme destaca uma revisão publicada em Behavioural Brain Research.
Outro ponto de debate é a dosagem necessária para obter benefícios cerebrais. Enquanto cinco gramas diárias são suficientes para efeitos musculares, estudos sugerem que doses entre 10 e 15 gramas podem ser necessárias para melhorar as funções cognitivas, o que levanta dúvidas sobre sua viabilidade prática.
A trajetória da creatina: de controvérsias à aceitação
Nos anos 90, a creatina enfrentou forte resistência, sendo acusada de causar danos aos rins e ao fígado. No entanto, pesquisas independentes conduzidas nas últimas décadas desmentiram essas alegações, mostrando que o suplemento é seguro e eficaz tanto para a performance física quanto para a saúde mental.
Hoje, a creatina é vista como uma ferramenta promissora para otimizar a qualidade de vida. Ainda assim, especialistas destacam que não se trata de uma solução milagrosa, mas de um recurso complementar que pode ser útil em casos específicos.
Conclusão
A creatina está rompendo barreiras e mostrando seu potencial como aliada não apenas do corpo, mas também da mente. Com base em evidências científicas, ela oferece uma nova perspectiva para quem busca melhorar a memória e prevenir o declínio cognitivo. No entanto, seus benefícios dependem de fatores como saúde geral e necessidades individuais, sendo essencial manter expectativas realistas.
Fonte: Infobae