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Ciência

Descartada oficialmente a teoria de que vulcões exterminaram os dinossauros

O final do período Cretáceo teve eventos geológicos e astronômicos devastadores, mas pesquisadores identificaram um culpado em particular pela extinção em massa.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Durante anos, cientistas buscaram uma teoria alternativa para explicar o desaparecimento dos dinossauros, e muitos se inclinavam para o vulcanismo extremo. Embora intrigante, essa hipótese foi descartada por estudos recentes.

Há sessenta e seis milhões de anos, os dinossauros (com exceção das aves) desapareceram da Terra. Mas o que provocou esse evento? Erupções vulcânicas devastadoras ou o impacto catastrófico de um asteroide?

O estudo definitivo

Pesquisadores da Universidade de Manchester decidiram responder a essa questão histórica. Eles reconstruíram as temperaturas médias do ar dos 100 mil anos anteriores ao evento que causou a extinção, publicando suas descobertas em 18 de dezembro na Science Advances. O estudo confirmou que o asteroide foi o verdadeiro responsável pela extinção em massa no final do Cretáceo.

Conhecida como Extinção K-T, essa era foi marcada por eventos violentos que exterminaram cerca de 80% das espécies da Terra. Sabe-se que um asteroide com cerca de 10 a 15 quilômetros de diâmetro colidiu com a região que hoje corresponde ao México. No entanto, grandes erupções vulcânicas também ocorreram na Índia na mesma época, levantando dúvidas sobre seu papel na extinção.

Investigando o impacto

Para determinar a influência desses desastres, uma equipe internacional analisou camadas de matéria orgânica fossilizada encontradas no Colorado e Dakota do Norte. Essas amostras continham moléculas bacterianas que variam conforme a temperatura, permitindo a reconstrução das médias anuais de temperatura do período.

Os resultados mostraram que as emissões vulcânicas de dióxido de carbono elevaram gradualmente a temperatura global em cerca de 3 °C. Além disso, houve quedas temporárias de temperatura de até 5 °C, causadas por erupções que bloquearam a luz solar com emissões de enxofre, cerca de 30 mil anos antes da extinção. Contudo, esse período frio foi breve, com as temperaturas retornando ao normal após cerca de 10 mil anos.

A conclusão

Os pesquisadores concluíram que o impacto climático das erupções vulcânicas não foi suficiente para extinguir os dinossauros. “O enxofre teria consequências drásticas para a vida, mas esses eventos ocorreram milênios antes da extinção e provavelmente tiveram um papel limitado”, afirmou Lauren O’Connor, da Universidade de Utrecht, líder do estudo.

Em contrapartida, o impacto do asteroide desencadeou incêndios, terremotos, tsunamis e um “inverno de impacto” que bloqueou a luz solar e devastou os ecossistemas, conforme explicou Rhodri Jerrett, da Universidade de Manchester.

Implicações futuras

As amostras analisadas, localizadas a 750 km de distância, indicam padrões globais de temperatura, alinhando-se com outros registros da época. “Este estudo nos ajuda a entender como nosso planeta responde a grandes perturbações”, concluiu Bart van Dongen, da Universidade de Manchester. Ele destacou que os dados não apenas explicam o passado, mas também podem orientar preparativos para futuros desastres naturais ou mudanças climáticas.

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