Pesquisadores identificaram o Ahvaytum bahndooiveche, o dinossauro mais antigo já registrado no hemisfério norte. Encontrado em Wyoming, o fóssil revela que os dinossauros podem ter surgido simultaneamente em diferentes regiões do planeta, alterando teorias consolidadas sobre sua origem e dispersão. Este achado marca um avanço significativo nos estudos paleontológicos.
Um dinossauro de 230 milhões de anos em Wyoming
O Ahvaytum bahndooiveche foi descoberto na Formação Popo Agie, em Wyoming, por uma equipe liderada por David M. Lovelace e Aaron Kufner entre 2013 e 2016. Os fósseis, que incluem parte de um fêmur e um astrágalo, permitiram aos cientistas identificá-lo como um saurópode primitivo.
Utilizando técnicas avançadas, como a espectrometria isotópica de chumbo-urânio, os pesquisadores dataram o fóssil em 230 milhões de anos, contemporâneo aos dinossauros mais antigos encontrados no hemisfério sul, em regiões como Brasil e Argentina. Este dado desafia a ideia de que os dinossauros surgiram exclusivamente em Gondwana, o supercontinente do hemisfério sul.
Características do Ahvaytum bahndooiveche
Diferente dos gigantes saurópodes que dominaram eras posteriores, o Ahvaytum bahndooiveche era pequeno, medindo cerca de 30 cm de altura e 91 cm de comprimento, incluindo sua longa cauda. Apesar de seu tamanho reduzido, o dinossauro adulto já estava totalmente desenvolvido, segundo análises histológicas realizadas em seus ossos.
Embora o crânio do animal não tenha sido encontrado, acredita-se que, como outros saurópodes primitivos, ele poderia ser onívoro. Seu nome combina termos da língua Shoshone: Ahvaytum significa “há muito tempo”, e bahndooiveche se traduz como “dinossauro”.
Uma nova visão sobre a dispersão dos dinossauros
A descoberta questiona teorias tradicionais que sugeriam o surgimento exclusivo dos dinossauros no hemisfério sul. Até então, acreditava-se que a dispersão para o hemisfério norte foi gradual e limitada por barreiras climáticas. No entanto, o Ahvaytum bahndooiveche indica que os dinossauros podem ter surgido simultaneamente em ambos os hemisférios, desafiando suposições anteriores.
Segundo Lovelace, “estamos preenchendo lacunas importantes na história dos dinossauros e mostrando que algumas ideias mantidas por muito tempo não estavam totalmente corretas”.
O papel do clima no período
O Ahvaytum bahndooiveche viveu durante o Episódio Pluvial Carniano, um período marcado por aumento da umidade global entre 234 e 232 milhões de anos atrás. Esse evento transformou desertos em ecossistemas mais habitáveis, facilitando a diversificação inicial dos dinossauros e de outros grupos animais.
Os cientistas também destacam que a falta de estudos no hemisfério norte pode ter gerado um viés no registro fóssil. Kufner afirmou que as restrições climáticas para a presença de dinossauros nessas regiões podem ter sido superestimadas, sugerindo a necessidade de explorar mais formações geológicas no norte.
Implicações da descoberta
O estudo não apenas amplia o entendimento sobre os primeiros dinossauros, mas também demonstra a importância de técnicas modernas de datação para confirmar descobertas significativas.
Com o Ahvaytum bahndooiveche, os pesquisadores mostram que os dinossauros do hemisfério norte têm um papel crucial na compreensão da história evolutiva desses animais, apontando para uma origem mais complexa e simultânea em diferentes partes do mundo.
Essa descoberta abre novas possibilidades de pesquisa e reforça a importância de revisitar formações geológicas pouco exploradas para revelar capítulos ainda desconhecidos da história dos dinossauros.
Fonte: Infobae