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Ciência

Descoberta fascinante em antiga pedreira romana intriga arqueólogos

Arqueólogos encontraram um objeto incomum e pintado à mão que pode ter sido usado em rituais ou como amuleto na Grã-Bretanha romana. A descoberta de 2.000 anos atrás levanta questões intrigantes sobre práticas e simbolismos antigos. Confira os detalhes e as teorias por trás deste artefato único.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Uma pedreira em Surrey, Inglaterra, revelou um achado arqueológico surpreendente: um osso de pênis de cão pintado de vermelho, datado de mais de 2.000 anos. Pesquisadores acreditam que o artefato pode estar relacionado a rituais de fertilidade ou amuletos de boa sorte, ampliando nosso entendimento sobre as práticas simbólicas na Grã-Bretanha romana.

O báculo canino: um artefato único

Ellen Green, bioarqueóloga da Universidade de Reading, liderou a descoberta do báculo – o osso peniano de um cão – pintado com ocre vermelho. O achado foi feito em uma pedreira romana de quatro metros de profundidade em Nescot, próxima à cidade de Ewell, um local que já havia fornecido outros ossos humanos e animais, mas nenhum com tais características.

O artefato foi analisado com fluorescência de raios X, técnica que identificou o óxido de ferro como responsável pela cor vermelha. Green acredita que o báculo foi pintado manualmente antes de ser depositado na pedreira, já que o ocre vermelho não ocorre naturalmente na região.

Possíveis explicações para a pintura

Até agora, não há registros de ossos pintados em outras descobertas romanas na Grã-Bretanha, tornando este objeto especialmente raro. Green sugeriu duas possibilidades: o báculo foi diretamente pintado com o ocre ou mantido em um recipiente tingido com o mineral.

Embora a forma como o artefato foi pintado esteja mais clara, seu propósito permanece um mistério. O estudo especula que ele poderia estar relacionado a rituais de fertilidade, dado o simbolismo entre cães e fertilidade na Grã-Bretanha romana.

Contexto cultural e paralelos históricos

Na cultura romana, o pênis era um símbolo de boa sorte e proteção contra o mau-olhado. Apesar disso, este é o único exemplo conhecido de um osso peniano potencialmente usado em um ritual. No entanto, outras culturas também utilizavam báculos em contextos simbólicos.

Por exemplo, os saami no norte da Escandinávia incorporavam báculos de urso em tambores sagrados, enquanto grupos nativos do Alasca poliam ossos de pênis de ursos-polares para criar cabos de facas. Essas práticas refletem uma tradição ampla onde órgãos genitais simbolizam poder, fertilidade e proteção.

Um local com significado ritual

A pedreira de Surrey foi reutilizada para sepultamentos em nove ocasiões ao longo de meio século após ser desativada. Estudos indicam que o local também pode ter servido para rituais ligados à fertilidade agrícola, dado o grande número de animais jovens enterrados e sua relação com nascimentos na primavera e verão.

Green afirmou ao The Independent que a conexão entre pedreiras e fertilidade não é nova, mas o achado eleva o simbolismo fálico a um novo patamar na arqueologia da Grã-Bretanha romana.

Conclusões sobre o mistério

O báculo canino pintado é uma peça única e intrigante, que desafia o conhecimento atual sobre práticas rituais e simbólicas na Grã-Bretanha romana. Embora permaneçam perguntas sobre sua função exata, a descoberta oferece um vislumbre fascinante das crenças e tradições da época.

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