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El Salvador recua em seu experimento com Bitcoin: O que mudou?

Após um acordo com o FMI para um empréstimo de US$ 1,4 bilhão, El Salvador alterou sua legislação sobre criptomoedas, enfraquecendo o status do Bitcoin no país. O experimento de Nayib Bukele com a moeda digital não teve a adoção esperada e agora enfrenta um retrocesso significativo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O governo de El Salvador, liderado pelo presidente Nayib Bukele, apostou alto no Bitcoin desde 2021, promovendo a criptomoeda como moeda legal e planejando megaprojetos como a criação de uma cidade baseada na mineração de Bitcoin. No entanto, diante de dificuldades econômicas, o país precisou buscar um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), que exigiu a redução das políticas pró-Bitcoin em troca do financiamento.

As mudanças na legislação

Bitcoin Continua Legal, Mas Sem Status de Moeda

A nova legislação aprovada pelo congresso salvadorenho, com uma votação de 55 a 2, alterou seis artigos da Lei do Bitcoin e revogou três outros. As principais mudanças incluem:

🔹 Bitcoin não é mais considerado “moeda”, embora continue sendo um meio de pagamento legal.
🔹
Empresas não são mais obrigadas a aceitar Bitcoin, ficando a critério de cada estabelecimento.
🔹
O governo não aceitará mais Bitcoin para pagamento de impostos e dívidas públicas.
🔹
Menos investimentos no Chivo Wallet, a carteira digital patrocinada pelo governo.

O declínio do sonho Bitcoin

Bukele prometeu que a adoção do Bitcoin transformaria a economia do país. Ele anunciou o projeto de uma Bitcoin City, que seria alimentada por energia geotérmica de um vulcão, no formato físico da moeda digital. A expectativa era que a valorização do Bitcoin impulsionasse a economia indefinidamente.

No entanto, a realidade foi diferente. A adoção do Bitcoin pelo público em geral foi mínima – apenas 12% da população o utilizou –, e a queda no valor da criptomoeda enfraqueceu a viabilidade econômica da proposta. Em uma entrevista à revista TIME, o próprio Bukele reconheceu que a adoção foi muito menor do que o esperado.

As exigências do FMI e o impacto econômico

O FMI já havia alertado em 2022 sobre os riscos da utilização do Bitcoin como moeda legal, citando sua alta volatilidade e impacto fiscal. A recente negociação do empréstimo reforçou essas preocupações, forçando El Salvador a recuar de sua aposta na criptomoeda para garantir um financiamento necessário à estabilidade econômica do país.

Enquanto o governo tenta manter uma imagem amigável às criptomoedas, o enfraquecimento das políticas pró-Bitcoin demonstra que as necessidades econômicas falam mais alto. A retirada do status de moeda do Bitcoin representa um golpe para entusiastas que viam El Salvador como um laboratório para o futuro das criptomoedas.

O foco agora está em prisões, não em Bitcoin

Enquanto o Bitcoin perde espaço no governo salvadorenho, as superprisões do país estão ganhando destaque. Durante uma reunião com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Bukele ofereceu espaço em suas prisões para receber deportados norte-americanos. A administração Trump busca alternativas para encarcerar imigrantes deportados e, segundo Rubio, a oferta está em consideração.

El Salvador se tornou conhecido por suas superprisões de segurança máxima, que abrigam dezenas de milhares de detentos sob duras condições. Com essa movimentação política, Bukele reforça sua imagem de líder autoritário e disposto a endurecer medidas de segurança, enquanto a aposta no Bitcoin, que um dia foi sua marca registrada, parece estar ficando para trás.

Bitcoin cai, prisões sobem: O novo rumo de El Salvador

O experimento do Bitcoin em El Salvador não trouxe os benefícios prometidos e agora está sendo reduzido para acomodar as exigências do FMI. Com um governo focado em fortalecer sua política de segurança e prisões, o país muda de direção, deixando para trás o sonho de ser o primeiro grande paraíso das criptomoedas. O futuro agora será definido pelo equilíbrio entre as necessidades econômicas e a imagem internacional de Bukele.

Fonte: Gizmodo US

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