Antes da chegada dos humanos, muito antes até dos primeiros mamíferos, o céu sobre o que hoje é o Brasil era dominado por criaturas fascinantes: os pterossauros. Esses répteis voadores viveram na era dos dinossauros, mas eram uma classe à parte — e deixaram registros impressionantes no território nacional. Dois estados brasileiros, Paraná e Ceará, são hoje fontes valiosas de fósseis que ajudam a recontar essa parte extraordinária da pré-história.
O que eram os pterossauros?
Infernodrakon hastacollis gen. et sp. nov., um novo pterossauro azhdarquídeo da Formação Hell Creek de Montana, e a diversidade de pterossauros do Maastrichtiano da América do Norte https://t.co/XXIw1ga5Z4
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Os pterossauros foram répteis voadores pertencentes ao grupo dos arcossauros, assim como os dinossauros e os ancestrais dos crocodilos. Eles surgiram por volta de 219 milhões de anos atrás, no final do período Triássico, logo após o aparecimento dos primeiros dinossauros.
Com asas sustentadas por um quarto dedo alongado — que podia medir até dois metros — e ossos ocos que facilitavam o voo, esses animais não eram aves nem dinossauros, mas uma linhagem distinta de vertebrados alados.
Segundo o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli, da USP, os pterossauros habitaram praticamente toda a América do Sul. No entanto, os fósseis conhecidos até hoje foram encontrados apenas no Paraná e no Ceará, devido às condições geológicas que permitiram sua preservação.
Os pterossauros “brasileiros”
No livro Pterossauros do Brasil, Anelli destaca quatro espécies descobertas no país que se diferenciam por características únicas.
Do Paraná, temos o Caiuajara dobruskii, famoso por suas enormes cristas e por viver em grupos, e o Keresdrakon vilsoni, um pterossauro mais solitário.
Já no Ceará, os destaques são o Anhanguera piscator, um exímio pescador que voava sobre mares antigos, e o Tupandactylus imperator, conhecido por sua cabeça desproporcionalmente grande e ornamentada.
Essas espécies mostram a diversidade de formas e comportamentos desses animais — alguns viviam em bandos, outros eram predadores ágeis, e havia até os que exibiam estruturas cranianas exageradas que poderiam ter funções de exibição ou termorregulação.
Por que eles não eram dinossauros?
Embora tenham vivido na mesma época, pterossauros e dinossauros seguiram caminhos evolutivos distintos. Enquanto os dinossauros possuíam, em geral, três dedos nas mãos e características específicas na região da bacia, os pterossauros tinham quatro dedos nos braços — sendo o último imenso para sustentar a asa — e uma estrutura exclusiva chamada pteroide.
Anelli compara essa diferenciação à forma como distinguimos um banco de uma cadeira ou uma cadeira de uma poltrona: são sutilezas anatômicas, mas que fazem toda a diferença na classificação científica.
E as aves, o que têm a ver?
Finalizamos com 3. Tá bom por aqui, né? Jurassic world a gente deixa pra outro dia, ou quem sabe só esquece mesmo.
Pterossauros são tão legais 💙 pic.twitter.com/WVC7mhRvoV
— Gabu 🐬♿ | Cachalote Peregrino (@pilgrimcetus_) April 13, 2024
Apesar de também voarem, as aves não descendem dos pterossauros. Elas evoluíram de pequenos dinossauros com penas e são, portanto, os únicos dinos que sobreviveram à extinção em massa.
Os pterossauros foram os primeiros vertebrados a conquistar os céus, cerca de 220 milhões de anos atrás. Depois vieram as aves, aproximadamente 70 milhões de anos depois. E, por fim, os mamíferos voadores — os morcegos — surgiram 50 milhões de anos após as aves.
O fim de uma linhagem
Os pterossauros desapareceram há cerca de 66 milhões de anos, junto com a maioria dos dinossauros, após o impacto de um grande meteoro no que hoje é o México.
Mas a extinção desses répteis voadores não teve uma única causa. Além do cataclismo ambiental, fatores biológicos pesaram: eles eram animais grandes, com alto consumo de energia e reprodução lenta.
As aves, por outro lado, eram menores, mais inteligentes, com dietas variadas e ciclos reprodutivos curtos — características que favoreceram sua sobrevivência em um mundo devastado.
Fonte: G1.Globo