A operadora de satélites francesa Eutelsat, responsável pela constelação OneWeb, teve que suspender suas operações em 31 de dezembro de 2024 devido a um problema de software em seu segmento terrestre. O erro foi causado pela falha em contabilizar o dia extra do ano bissexto, que desestabilizou o sistema temporariamente. Após 48 horas, o serviço foi restaurado e voltou a operar normalmente, segundo comunicado oficial da empresa.
Joanna Darlington, chefe de comunicações da Eutelsat, confirmou que a ausência do dia 29 de fevereiro no cálculo do software foi a provável causa do problema.
Desafios no caminho da OneWeb
A trajetória da OneWeb para estabelecer sua constelação global de satélites não tem sido fácil. Inicialmente, a empresa dependia dos foguetes russos Soyuz para lançar seus satélites. No entanto, a parceria foi interrompida após a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022. Em retaliação às sanções ocidentais, a Roscosmos recusou-se a lançar os satélites da OneWeb, retendo 36 unidades no Cazaquistão.
Com isso, a OneWeb recorreu a parceiros como a SpaceX, sua principal concorrente, e à Organização de Pesquisa Espacial da Índia (ISRO) para continuar seus lançamentos. Apesar de completar sua constelação em março de 2023 com 36 novos satélites, a OneWeb ainda enfrenta desafios para oferecer banda larga globalmente devido a atrasos na aprovação de infraestrutura terrestre em países como Índia, Tailândia e Turquia.
Serviços e planos futuros
Atualmente, os serviços da OneWeb estão disponíveis apenas nas Américas e em algumas partes da Europa e da Ásia. A empresa espera resolver os entraves regulatórios e expandir sua cobertura para o mundo inteiro até meados de 2025.
Diferentemente da Starlink, que atende diretamente consumidores finais, a OneWeb atua como provedora de infraestrutura, oferecendo serviços a provedores de internet e clientes comerciais.
A Eutelsat já planeja o futuro, com um pedido de 100 novos satélites de banda larga à Airbus para renovar sua constelação a partir de 2027, quando muitos dos satélites atuais chegarão ao fim de seu ciclo útil. A empresa garante que não repetirá o erro de ignorar o ano bissexto em 2028.
Reflexões sobre o impacto
O incidente destaca a crescente complexidade do setor espacial e a importância de planejamento minucioso para evitar falhas. Com o avanço das constelações de satélites, garantir a continuidade dos serviços e superar desafios técnicos se torna essencial para a competitividade.