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Ciência

Esse erro comum na rotina alimentar infantil pode afetar o colesterol e o metabolismo

Não basta escolher alimentos saudáveis: o momento em que as crianças comem também pode afetar o metabolismo, o colesterol e o risco de doenças no futuro. Uma nova pesquisa levanta pontos importantes que podem mudar a forma como organizamos as refeições infantis em casa.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Muito se fala sobre o que as crianças devem ou não comer, mas pouco se discute sobre quando elas comem. Um estudo recente realizado na Espanha mostra que os horários das refeições também influenciam a saúde metabólica infantil — e podem ter mais impacto do que imaginamos.

O corpo das crianças também segue um relógio

A chamada crononutrição — área que estuda como o relógio biológico afeta a digestão — ganhou destaque em um estudo com 880 crianças de 8 a 13 anos, conduzido pelo grupo VALORNUT da Universidade Complutense de Madri. Os pesquisadores investigaram o impacto dos horários do café da manhã e do jantar, bem como a duração da “janela alimentar” (tempo entre a primeira e a última refeição do dia).

Foram coletados dados sobre os hábitos alimentares, o horário das refeições e exames como glicemia e colesterol. A pergunta era clara: será que o relógio interno das crianças também interfere na forma como elas metabolizam o que comem?

Resultados que surpreendem

Ao contrário do esperado, crianças que tomavam café da manhã mais tarde apresentaram níveis mais baixos de glicose e colesterol ruim (LDL), e níveis mais altos de colesterol bom (HDL). No entanto, quando a janela alimentar era muito longa — ou seja, quando havia um grande intervalo entre o café e o jantar — os resultados eram preocupantes: pior perfil lipídico e maior risco cardiovascular a longo prazo.

Tanto o café quanto o jantar tardios foram associados a uma pior qualidade geral da alimentação, possivelmente pela falta de planejamento e maior consumo de alimentos menos nutritivos.

Rotina Alimentar Infantil
© Cottonbro Studio – Pexels

Por que isso importa na prática?

Os pesquisadores apontam que à noite o metabolismo é naturalmente mais lento e o corpo tem mais dificuldade para processar carboidratos e gorduras. Jantar tarde, combinado com poucas horas de sono, pode aumentar ainda mais esse efeito negativo — algo comum entre crianças com rotina desregulada.

Curiosamente, comer muito cedo também pode não ser ideal: quando os níveis de melatonina ainda estão altos pela manhã, a resposta do corpo à insulina pode ser prejudicada.

Como ajustar a rotina alimentar infantil

Com base nos dados, os especialistas recomendam adiantar a última refeição do dia e manter a janela alimentar dentro de 12 horas. Ou seja, se o café for às 7h, o jantar deve ser até as 19h. Isso ajuda o corpo a funcionar em sintonia com os ritmos naturais e melhora a saúde metabólica ao longo do tempo.

Planejar o quando, além do que, pode ser um passo essencial para promover mais saúde desde a infância.

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