Pular para o conteúdo
Ciência

Este local na América Latina tem o ar mais poluído da região – e os riscos são alarmantes

Um distrito na América Latina foi identificado como a área mais contaminada da região, com níveis de poluição do ar que ultrapassam em mais de dez vezes o limite recomendado pela OMS. A exposição prolongada a esse ambiente está associada a sérios problemas respiratórios e cardiovasculares, afetando milhares de pessoas diariamente.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

O perigo invisível da poluição do ar

Respirar ar puro é essencial para a saúde, mas em algumas cidades da América Latina, o ar se tornou um inimigo silencioso. A poluição atmosférica está diretamente relacionada ao aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares, além de impactar negativamente a economia e a qualidade de vida da população.

Um dos maiores vilões dessa contaminação é o material particulado PM2.5, um conjunto de partículas microscópicas em suspensão no ar. Essas partículas são tão pequenas que podem se infiltrar profundamente nos pulmões e até atingir a corrente sanguínea, provocando inflamações e danos severos ao organismo. Em algumas regiões da América Latina, os níveis de PM2.5 ultrapassam em muito os padrões de segurança estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), expondo milhões de pessoas a riscos contínuos.

O que é o PM2.5 e por que é tão perigoso?

O PM2.5 é formado por partículas extremamente finas, com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), a exposição prolongada a esse poluente pode aumentar em 20% a 30% o risco de doenças como bronquite crônica, asma e problemas cardiovasculares.

Crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes são os mais vulneráveis. Além disso, pesquisas recentes indicam que a poluição do ar também pode impactar a saúde mental, contribuindo para o aumento de ansiedade, depressão e déficits cognitivos em crianças.

No âmbito econômico, os prejuízos causados pela contaminação do ar são bilionários. Estima-se que os gastos com atendimento médico e a queda na produtividade devido a doenças respiratórias custam milhares de milhões de dólares por ano para os países mais afetados.

O local com o ar mais poluído da América Latina

Ao contrário do que muitos imaginam, a cidade mais contaminada da América Latina não é a Cidade do México ou Bogotá. De acordo com o relatório World Air Quality Report 2024, publicado pela IQAir, o distrito de Santa María, em Ate, Lima (Peru), tem o ar mais poluído da região.

Os níveis médios de PM2.5 atingiram 53,4 µg/m³, mais de dez vezes o limite recomendado pela OMS, que é de apenas 5 µg/m³. Esse dado coloca Lima entre as cidades com pior qualidade do ar no mundo e expõe sua população a riscos significativos de saúde.

Outras áreas de Lima, como San Juan de Lurigancho e Puente Piedra, também registraram níveis alarmantes de poluição, consolidando a capital peruana como uma das mais contaminadas da América Latina.

O Peru no ranking da poluição global

O relatório da IQAir classifica o Peru em 58º lugar no ranking mundial da qualidade do ar, com uma média anual de 17,1 µg/m³ de PM2.5. Embora esse número represente uma ligeira melhora em relação ao ano anterior (18,8 µg/m³ em 2023), ainda é três vezes superior ao recomendado pela OMS.

Na América Latina, o Peru ocupa a quinta posição entre os países mais poluídos, ficando atrás apenas de Guatemala, Guiana, México e El Salvador.

Entre as cidades mais poluídas da região, Lima está em terceiro lugar, com 18,2 µg/m³ de PM2.5, atrás apenas da Cidade do México (19,5 µg/m³) e Cidade da Guatemala (18,9 µg/m³).

Os impactos da poluição na saúde e na economia

A má qualidade do ar em Lima está ligada a mais de 10 mil mortes anuais decorrentes de doenças respiratórias e cardiovasculares. A Direção Geral de Saúde Ambiental (DIGESA) estima que, por ano, 5 mil crianças desenvolvem bronquite aguda devido à exposição à poluição.

Além disso, a contaminação do ar compromete a produtividade da população. Estudos indicam que os custos associados a problemas de saúde e absenteísmo no trabalho devido à poluição chegam a 12,8 bilhões de dólares anuais no Peru.

O que pode ser feito para melhorar a qualidade do ar?

Reduzir a poluição atmosférica exige medidas urgentes, como:

  • Reforçar as leis ambientais para controlar emissões industriais e veiculares;
  • Investir em transporte sustentável, como ônibus elétricos e ciclovias;
  • Aumentar a cobertura de áreas verdes, que ajudam a filtrar o ar contaminado;
  • Monitorar continuamente a qualidade do ar e informar a população sobre riscos e cuidados.

Se nenhuma ação for tomada, milhões de pessoas continuarão expostas a um ar cada vez mais tóxico, aumentando o impacto na saúde pública e na economia. A poluição do ar já não é apenas um problema ambiental, mas uma verdadeira crise de saúde global.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados