O cérebro das mulheres sofre alterações notáveis durante a gravidez, como a redução no volume de certas áreas, que retorna ao normal após alguns meses. Segundo um estudo publicado na Nature Neurology, essas mudanças não são prejudiciais e podem estar ligadas à adaptação do cérebro ao desafio do parto e da maternidade.
as áreas do cérebro que mudam
A pesquisa identificou uma diminuição no volume da matéria cinzenta e no espessamento cortical a partir da nona semana de gravidez. Essas áreas, cruciais para funções mentais e cognitivas, são as mais afetadas. Além disso, houve aumento da matéria branca, responsável pela conectividade cerebral, e do líquido cefalorraquidiano, que protege o cérebro e a medula espinhal.
Curiosamente, os lóbulos temporal e occipital, ligados à fala e à visão, apresentaram maior conectividade durante a gravidez, o que sugere que o cérebro se adapta para atender às necessidades da maternidade. Essas mudanças são influenciadas pelos níveis elevados de hormônios como estradiol e progesterona.
mudanças persistentes e saúde mental
Enquanto algumas alterações voltam ao normal em poucos meses, outras, como a redução do volume e do espessamento cortical, podem durar até dois anos após o parto. Pesquisadores associam essas mudanças ao “refinamento cortical”, semelhante ao que ocorre na puberdade, e acreditam que isso prepara o cérebro para os desafios do cuidado com o bebê.
Esses dados também levantam hipóteses sobre a relação entre as alterações cerebrais e a depressão pós-parto, que afeta cerca de uma em cada cinco mulheres. Estudos futuros podem explorar se essas mudanças anatômicas contribuem para o desenvolvimento da condição.
um avanço para entender o cérebro materno
A pesquisa foi realizada com inteligência artificial e incluiu análises de ressonâncias magnéticas e exames de sangue de uma mulher durante todo o processo de gestação e até dois anos após o parto. Os dados obtidos, agora de livre acesso, visam apoiar novos estudos para entender melhor as alterações cerebrais durante a gravidez e sua relação com a saúde mental materna.
Para Susana Carmona, pesquisadora do Instituto Gregorio Marañón, compreender essas mudanças pode ajudar na prevenção e no tratamento de patologias mentais no pós-parto, oferecendo novos caminhos para melhorar o bem-estar materno e infantil.
Fonte: Clarin