Mudanças de humor repentinas, cansaço constante e dificuldade de concentração podem ser sinais claros de que algo não está bem. Em um mundo cada vez mais exigente, muitas pessoas vivem em um estado permanente de tensão. O estresse se acumula por motivos profissionais, familiares, econômicos ou de saúde, e pode afetar diretamente o bem-estar físico e emocional.
Mas será que todo estresse faz mal? Especialistas afirmam que nem sempre. A chave está na dose certa — e no modo como lidamos com ele.
Quando o estresse é benéfico?
A médica endocrinologista e psicanalista María Teresa Calabrese explica que o estresse, como dizia o pesquisador Hans Selye, é “o sal da vida”. Ele está presente em todas as atividades, até mesmo nas relações amorosas. O problema começa quando ultrapassa os limites do que conseguimos suportar.
Já a psicóloga Sandra Germani afirma que o modo como interpretamos uma situação influencia diretamente nosso nível de estresse. Um desafio pode ser visto como uma oportunidade de crescimento — ou como uma ameaça. A diferença está na percepção e na autoconfiança.
O estresse que ajuda e o que adoece
Existem dois tipos de estresse:
- Eustrésse: é o estresse positivo, que nos estimula, melhora a concentração e fortalece a memória. É transitório e nos prepara para situações desafiadoras, como uma entrevista ou apresentação.
- Distrésse: é o estresse negativo, crônico e excessivo. Ele gera mal-estar e compromete a saúde física e mental, favorecendo o surgimento de problemas como insônia, dores crônicas, ansiedade, depressão e doenças cardiovasculares.
Segundo o Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), o estresse prolongado pode agravar doenças respiratórias, digestivas e mentais, além de afetar o sono e a imunidade.
Sinais de alerta: quando o corpo e a mente pedem pausa

A doutora Calabrese alerta para os sintomas físicos e emocionais que indicam que o estresse ultrapassou o limite saudável:
- Físicos: dores de cabeça, insônia, fadiga, problemas digestivos, taquicardia, alterações na pressão arterial.
- Emocionais: irritabilidade, tristeza, sensação de sobrecarga, mudanças bruscas de humor.
- Cognitivos: dificuldade de foco, esquecimentos frequentes, pensamentos negativos.
- Comportamentais: isolamento social, uso excessivo de álcool, cafeína ou cigarro, queda no desempenho profissional ou acadêmico.
O poder do “estresse positivo”
A professora Sharon Bergquist, da Universidade Emory, defende no livro A Paradoxo do Estresse que doses controladas de estresse são essenciais para o crescimento físico e emocional. A exposição moderada a desafios (como exercício físico, frio, jejum intermitente) estimula os chamados vitagenes — genes responsáveis por reparar e fortalecer o organismo.
Esse tipo de estresse ativa hormônios como dopamina, serotonina e ocitocina, melhorando o humor, a resiliência e a saúde em geral.
7 recomendações para lidar com o estresse e encontrar equilíbrio

A psicóloga Sandra Germani compartilhou estratégias simples e eficazes para transformar o estresse em aliado:
- Respiração e meditação: Técnicas como mindfulness e respiração profunda ajudam a acalmar a mente e ativar o sistema nervoso parassimpático.
- Atividade física regular: Exercícios liberam endorfinas, melhoram o humor e reduzem a tensão.
- Sono de qualidade: Dormir entre 7 e 9 horas por noite favorece a recuperação física e emocional.
- Alimentação equilibrada: Nutrientes como ômega-3, magnésio e triptofano ajudam a regular o humor.
- Conexões sociais: Conversar, desabafar e buscar apoio fortalecem a capacidade de enfrentamento.
- Organização e limites: Saber dizer “não” e priorizar tarefas evita sobrecarga e frustração.
- Terapia psicológica: A terapia cognitivo-comportamental é eficaz para ressignificar pensamentos negativos e desenvolver estratégias de enfrentamento saudáveis.
Fonte: Infobae