A Ford está enfrentando dificuldades para tornar seu negócio de veículos elétricos rentável, com perdas que continuam a crescer. Apesar disso, a empresa ainda obtém lucros significativos com seus modelos a combustão, permitindo-lhe continuar investindo na transição para um futuro mais sustentável. Diante da queda nas vendas de EVs e das pressões dos investidores, a Ford está adotando uma estratégia mais equilibrada entre elétricos, híbridos e modelos com motores de combustão.
Perdas crescentes nos veículos elétricos
Em 2024, a Ford registrou um lucro líquido de US$ 5,9 bilhões, com ganhos ajustados de US$ 10,2 bilhões. No entanto, sua divisão de carros elétricos teve um prejuízo de US$ 5,1 bilhões, um aumento em relação à perda de US$ 4,7 bilhões no ano anterior. Para 2025, as projeções são ainda piores: uma perda de US$ 5,5 bilhões.
Os altos custos de pesquisa e desenvolvimento, além da necessidade de criar uma cadeia de suprimentos eficiente, fazem com que a transição para EVs seja financeiramente desafiadora. Para alcançar a lucratividade, a Ford precisa vender um grande volume de veículos elétricos, mas os preços altos afastam muitos consumidores.
Investidores pressionam por lucros
Há alguns anos, havia dúvidas sobre o comprometimento das montadoras tradicionais com a eletrificação. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, por exemplo, a General Motors apoiou a eliminação dos padrões de emissões mais rigorosos da Califórnia. Entretanto, em 2025, a GM já lançou diversos modelos elétricos bem recebidos, como o Silverado EV, e sua CEO, Mary Barra, afirmou que a divisão de EVs será lucrativa neste ano.
A Ford, por outro lado, vem adotando uma postura mais cautelosa, reduzindo algumas de suas metas mais ambiciosas para veículos elétricos. O F-150 Lightning, que já está há alguns anos no mercado, vem perdendo fôlego, com uma queda de 15,5% nas vendas em janeiro. No entanto, o Mustang Mach-E teve um crescimento expressivo, com um aumento de 172% nas vendas no mesmo período.
O futuro: Híbridos e EVs com motores a combustão
Diante desse cenário, a Ford está apostando em um caminho intermediário. A empresa planeja lançar mais modelos híbridos e veículos elétricos equipados com pequenos motores a combustão que funcionam como geradores para recarregar as baterias. Essa tecnologia pode oferecer autonomias de até 1.100 km por carga, algo que pode atrair mais consumidores preocupados com a infraestrutura de carregamento ainda limitada.
Outras montadoras, como a Volkswagen por meio da sua subsidiária Scout, estão seguindo uma estratégia similar, abandonando a ideia de fazer exclusivamente pickups elétricas para incorporar motores auxiliares a combustão.
Tesla, Trump e a influência chinesa
Elon Musk tem apoiado os planos de Donald Trump para eliminar incentivos fiscais para EVs. Muitos críticos acreditam que essa posição se deve ao fato de que a Tesla já é lucrativa na venda de seus carros e não depende tanto de subsídios governamentais como as montadoras tradicionais.
No entanto, a imagem de Musk tem sido prejudicada por suas posições políticas. Seu apoio a Trump e ao partido de extrema-direita alemão AfD tem afastado consumidores da Tesla na Califórnia e na Alemanha, dois dos maiores mercados para carros elétricos.
Enquanto isso, as montadoras chinesas estão expandindo rapidamente para a Europa, Brasil e México, oferecendo veículos elétricos acessíveis e de alto desempenho. O governo chinês investiu massivamente no setor, garantindo que suas empresas tivessem uma vantagem competitiva global.
A transição para os veículos elétricos está longe de ser simples. Enquanto a Ford continua perdendo dinheiro nessa divisão, sua estratégia de focar em híbridos e EVs com motores auxiliares pode ser um caminho mais sustentável a curto prazo. Com o mercado se transformando rapidamente e as montadoras chinesas ganhando espaço, a corrida pela eletrificação ainda está longe de ter um vencedor definido.
Fonte: Gizmodo US