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Ciência

Fósseis raros voltam ao Brasil após venda ilegal na Europa

Fósseis com mais de 100 milhões de anos, retirados de forma clandestina da Chapada do Araripe, foram localizados no Reino Unido após denúncia e agora retornam ao país. A operação revelou o valor científico do material e levantou novas investigações sobre o tráfico internacional de patrimônio paleontológico brasileiro.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Os fósseis da Chapada do Araripe, considerados tesouros científicos pela sua preservação e antiguidade, voltaram recentemente ao Brasil após terem sido contrabandeados para a Europa. A repatriação dessas peças históricas revela não apenas a importância do material para a ciência, mas também os desafios do combate ao tráfico internacional de fósseis.

Do Ceará para o mundo: a trajetória dos fósseis

Fósseis raros voltam ao Brasil após venda ilegal na Europa
© Pexels

As 25 peças recuperadas, que incluem fósseis de insetos, foram retiradas ilegalmente da região da Chapada do Araripe, no Ceará — um dos sítios paleontológicos mais importantes do país. Com mais de 100 milhões de anos, esse material foi levado ao Reino Unido, onde começou a ser vendido pela internet em um site de comércio especializado em fósseis e minerais.

O alerta partiu de uma pesquisadora, que, em fevereiro de 2023, identificou o anúncio das peças. A partir daí, o Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma investigação coordenada pelo procurador Rafael Ribeiro Rayol. A operação contou com laudos paleontológicos que comprovaram a origem cearense dos fósseis, especialmente pela presença da pedra cariri, característica da Formação Crato, comum nos municípios de Santana do Cariri e Nova Olinda.

Com o apoio da Polícia Federal e da Secretaria de Cooperação Internacional do MPF, as autoridades brasileiras solicitaram a colaboração jurídica do Reino Unido. O material foi finalmente repatriado e enviado à Procuradoria-Geral da República em Brasília, de onde será transferido ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.

O combate ao tráfico e novos desdobramentos

A legislação brasileira é clara: desde 1942, é proibida a extração, comercialização e exportação de fósseis sem autorização do governo. Ainda assim, o comércio ilegal continua. O MPF já repatriou mais de mil fósseis desde 2022, incluindo plantas, animais e até espécies extintas que despertam grande interesse de colecionadores no exterior.

O laudo técnico apontou ainda que os fósseis haviam sido preparados para valorização no mercado, um indicativo de que há um esquema organizado por trás dessas exportações ilegais. Agora, com o retorno das peças, as investigações seguem para identificar os responsáveis pela extração e pelo envio clandestino do material.

Casos pendentes e peças milionárias

Dois outros casos semelhantes estão em andamento na Justiça da França. Um deles envolve um esqueleto quase completo de um pterossauro da espécie Anhanguera, com envergadura de cerca de 4 metros. O outro reúne 45 fósseis diversos, entre tartarugas marinhas, aracnídeos, répteis e plantas — todos retirados do Brasil de forma irregular. Avaliado em aproximadamente 600 mil euros, o conjunto chama atenção pela raridade e pelo alto valor científico.

O retorno desses fósseis reforça a necessidade de proteger o patrimônio paleontológico brasileiro. As descobertas da Chapada do Araripe continuam a encantar pesquisadores e, ao mesmo tempo, alertam para a urgência de preservar nossas riquezas naturais e históricas de ameaças comerciais e ilegais.

[Fonte: Último Segundo]

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