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Tecnologia

Google Veo 3 agora também gera vídeos em 360º — e a IA mergulha de cabeça na realidade virtual

A mais nova façanha da inteligência artificial de Google Veo 3 é transformar simples comandos de texto em vídeos para realidade virtual. Mas será que isso representa inovação ou só mais um tipo de “conteúdo-lixo” digital? Prepare-se: nem o universo imersivo da VR escapou da onda de geração automática de mídia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando achávamos que a avalanche de conteúdo gerado por IA não podia piorar, o Google nos puxa de volta. Veo 3, seu novo modelo de geração de vídeos, não só cria cenas cinematográficas e clipes estilosos — agora ele também está invadindo a realidade virtual. Com um simples comando, qualquer pessoa pode criar vídeos em 360º prontos para serem assistidos com óculos de VR. Mas isso é avanço ou exagero?

 

A IA invadiu o território da VR

A revelação veio de Henry Daubrez, que publicou no X (antigo Twitter) que bastaria adicionar “make it 360 degrees” ao prompt do Veo 3 para gerar um vídeo em realidade virtual. O processo requer apenas um ajuste final no arquivo: a inserção de metadados corretos usando uma ferramenta chamada ExifTool no Terminal. Uma vez feita a modificação, o vídeo pode ser lido como conteúdo VR em players como o VLC.

Ou seja, com algumas linhas de texto e uma pitada de metadados, você tem um clipe imersivo — criado do nada por IA — pronto para ser explorado como se fosse um ambiente real. É simples, rápido e, como muitos estão dizendo… bastante duvidoso.

 

VR de IA: mais acessível, mas também mais raso

A capacidade de gerar vídeos em 360º com IA é, sem dúvida, impressionante. No entanto, como já visto em outras aplicações de Veo 3, há um grande risco de inundação de conteúdo de baixa qualidade. Daubrez apontou que o sistema nem parece ter sido projetado para VR — e mesmo assim, consegue produzir algo funcional.

Isso mostra o poder do modelo, mas também expõe sua fragilidade criativa: por mais que a IA imite imagens panorâmicas e movimente a câmera com fluidez, o conteúdo muitas vezes parece raso, visualmente confuso ou esteticamente “plastificado”.

Alguns vídeos gerados já estão disponíveis no YouTube, e a recepção é mista: curiosidade, fascínio e também cansaço com mais um tipo de “slop” — termo que define o excesso de mídia gerada automaticamente, muitas vezes sem alma nem propósito.

 

Vale a pena o hype?

A realidade virtual ainda é um território experimental, tanto para criadores independentes quanto para grandes empresas. Nesse sentido, o uso de IA para preencher lacunas na produção de conteúdo pode até ser bem-vindo. A biblioteca de experiências VR ainda é limitada, e gerar cenas rápidas com IA pode acelerar a popularização da tecnologia.

Mas a pergunta persiste: será que isso incentiva boas criações ou apenas alimenta o ciclo de conteúdo genérico e repetitivo? Assim como um fast food digital, a IA serve rápido, barato e em grande quantidade — mas nem sempre é nutritiva para a cultura.

 

Um futuro imersivo… e repetitivo?

A entrada do Google Veo 3 no universo 360º é mais uma prova de que a IA não tem freio quando se trata de criar “experiências”. Por enquanto, o público pode se divertir com os experimentos — ou se irritar com a saturação de vídeos gerados automaticamente.

De uma forma ou de outra, o recado está dado: nem mesmo o VR está a salvo da inteligência artificial. E, como todo Sloppy Joe digital, o resultado pode até ser saboroso no começo, mas tende a dar indigestão se consumido sem moderação.

 

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