Você pagaria mais para melhorar seus exames médicos com inteligência artificial? Em um estudo recente, mais de 30% das mulheres escolheram mamografias com IA — e os resultados foram notáveis.
Pesquisadores reunidos na conferência anual da Sociedade Radiológica dos EUA (RSNA) revelaram que as mulheres que pagaram mais por mamografias com IA tiveram 21% mais chances de ter o câncer detectado. Os resultados foram apresentados no evento e detalhados em uma declaração da RSNA, sugerindo que a IA atua como “outro par de olhos” para os radiologistas.
“Este é o primeiro relatório sobre os resultados de um programa que oferece exames com IA como uma opção adicional para as pacientes, mediante pagamento extra”, explicou Bryan Haslam, executivo da DeepHealth, que liderou o estudo.
O estudo considerou 10 consultórios onde o programa de mamografias com IA, aprovado pela FDA, foi implementado. Os exames de raio-x das mulheres que participaram foram analisados por um radiologista especializado em mamas e depois revisados pelo software de IA. Se houvesse divergências, um segundo radiologista fornecia uma terceira opinião.
Maior precisão nos exames
“O programa de exames com IA utiliza inteligência artificial de forma inovadora, garantindo que mulheres com achados suspeitos recebam atenção especializada, o que pode ajudar a detectar muito mais casos de câncer de mama em estágios iniciais”, acrescentou Haslam.
Atualmente, 36% das mulheres optam por esse programa, e essa proporção está aumentando à medida que a taxa de detecção de câncer entre as que escolhem essa opção continua a crescer.
De fato, de 747.604 mulheres que realizaram mamografias em um ano, a taxa de detecção foi 43% maior entre aquelas que escolheram o programa, em comparação com as que não o fizeram. Os pesquisadores observaram esse aumento nos 10 consultórios incluídos no estudo.
Embora 22% do aumento seja atribuído ao fato de que mulheres com maior risco de câncer são mais propensas a optar pelo programa, os 21% restantes foram atribuídos ao uso da IA.
Além disso, as mulheres que escolheram o programa foram convocadas para exames adicionais 21% mais vezes do que as que não o escolheram. O valor preditivo positivo para câncer (as chances de um resultado positivo realmente indicar a presença de câncer) também foi 15% maior, indicando que, com a ajuda da IA, as revisões secundárias foram mais precisas.
“Os dados mostram que há muitas mulheres que desejam usar a IA para melhorar seus exames, e quando a IA é associada a uma revisão posterior, mais casos de câncer são encontrados”, destacou Gregory Sorensen, da DeepHealth e autor principal do estudo.
Os pesquisadores esperam continuar os estudos, buscando eliminar vieses decorrentes da auto-seleção, com ensaios randomizados e controlados.