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Ciência

Incrível achado na Nova Zelândia pode reescrever o que se sabe sobre a longevidade das lagartixas

Dois répteis encontrados em uma ilha isolada estão desafiando tudo o que a ciência acreditava saber sobre o tempo de vida dessas criaturas. E podem não ser os únicos.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Uma expedição recente na Nova Zelândia revelou um achado notável: duas lagartixas da espécie Waitaha, nativas do país, foram identificadas com idades muito superiores à média mundial conhecida para esses animais. A descoberta levanta novas questões sobre longevidade, conservação e o impacto da ausência de predadores no tempo de vida das espécies.

Lagartixas que desafiam o tempo

As lagartixas, batizadas de Antoinette e Brucie-Baby, têm, respectivamente, 64 e 60 anos de idade. Elas foram encontradas por pesquisadores do Departamento de Conservação da Nova Zelândia durante uma expedição na Ilha Motunau, uma pequena área costeira livre de predadores, localizada na região de Canterbury.

A idade dos animais surpreendeu os cientistas, considerando que a expectativa média de vida de lagartixas em geral é de cerca de 10 anos. A espécie Waitaha é considerada “em risco e em declínio”, e o fato de indivíduos tão antigos ainda estarem vivos e ativos é considerado um feito extraordinário.

Como os pesquisadores identificaram a idade

A especialista em répteis Marieke Lettink, integrante da equipe da expedição, relatou que a descoberta foi “emocionante e humilhante”, destacando o impacto de encontrar animais que provavelmente nasceram antes de muitos dos próprios pesquisadores.

As lagartixas haviam sido marcadas entre 1965 e 1969 pelo conservacionista Tony Whitaker, pioneiro na pesquisa de répteis no país. A técnica usada na época, conhecida como toe clipping, envolvia cortar dedos das lagartixas em padrões específicos para permitir a identificação futura. Essa prática, porém, não é mais utilizada hoje.

Pesquisas contínuas revelam longevidade surpreendente

As expedições à Ilha Motunau ocorrem a cada cinco anos. A equipe monta grades de armadilhas e realiza buscas noturnas com lanternas, já que as lagartixas são ativas durante a noite. A cada nova visita, novos registros surpreendem os pesquisadores: a lagartixa mais velha da expedição anterior costuma ser superada por uma ainda mais antiga.

Antoinette e Brucie-Baby já estavam totalmente crescidas na época da marcação, o que indica que podem ser ainda mais velhas do que os registros oficiais sugerem.

Um ambiente ideal para a sobrevivência

Segundo os cientistas, a ausência total de predadores introduzidos é um dos principais fatores que contribuem para a longa vida das lagartixas na Ilha Motunau. Essa condição contrasta com o restante da Nova Zelândia, onde muitas espécies nativas foram dizimadas por predadores trazidos pelo homem, como gatos, ratos e doninhas.

Além disso, o clima frio e o estilo de vida discreto dos répteis podem estar entre os fatores biológicos que favorecem sua longevidade.

Implicações para a conservação

A descoberta reforça a importância de santuários livres de predadores para a preservação da fauna nativa. A longevidade das lagartixas Waitaha oferece um argumento adicional para que conservacionistas intensifiquem esforços na criação e manutenção desses refúgios.

Lettink conclui que o caso de Antoinette e Brucie-Baby pode ser apenas o começo. Ainda há a possibilidade de que existam lagartixas ainda mais velhas na ilha — o que, segundo a pesquisadora, “seria muito emocionante” para os próximos anos de pesquisa.

[Fonte: Último Segundo]

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