Após quase duas semanas de bombardeios intensos contra alvos estratégicos no Irã, serviços de inteligência dos Estados Unidos avaliam que o regime iraniano continua relativamente estável. De acordo com fontes familiarizadas com os relatórios, a liderança política e militar do país mantém controle sobre a população e sobre as principais estruturas de poder. A análise sugere que, apesar das perdas na cúpula do governo, não há sinais imediatos de colapso do sistema político iraniano.
Relatórios apontam estabilidade do regime

Segundo três fontes informadas sobre o conteúdo das análises, uma série de relatórios de inteligência concluiu que o governo iraniano ainda não enfrenta risco iminente de queda.
As avaliações indicam que o regime mantém controle político e social dentro do país, mesmo diante da pressão militar externa.
Uma das fontes afirmou que existe uma “análise consistente” dentro da comunidade de inteligência americana de que o sistema político iraniano permanece funcional e relativamente coeso.
O relatório mais recente foi finalizado nos últimos dias, segundo pessoas com acesso às conclusões.
Liderança clerical continua unida

Os documentos destacam especialmente a continuidade da liderança religiosa do país.
Mesmo após o assassinato do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, ocorrido em 28 de fevereiro durante o primeiro dia dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel, a estrutura clerical manteve sua unidade política.
Nos últimos dias, a Assembleia de Especialistas — órgão composto por clérigos xiitas responsáveis por escolher o líder supremo — anunciou Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder, como sucessor no comando do país.
Essa sucessão rápida contribuiu para preservar a estabilidade institucional.
Pressão militar e objetivos da guerra

Desde o início da operação militar, forças americanas e israelenses atingiram diversos alvos estratégicos no território iraniano.
Entre os principais alvos estavam sistemas de defesa aérea, instalações nucleares e integrantes da alta liderança política e militar.
Diversos comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), força paramilitar responsável por grande parte da segurança interna e da influência regional do Irã, também foram mortos.
Apesar dessas perdas, relatórios de inteligência indicam que o IRGC continua exercendo forte controle sobre as estruturas de poder do país.
Dificuldades para encerrar o conflito
A guerra ocorre em meio a pressões econômicas globais, incluindo a alta do preço do petróleo.
Diante desse cenário, o presidente Donald Trump sugeriu que pretende encerrar a maior operação militar dos Estados Unidos desde 2003 em breve.
No entanto, analistas indicam que encontrar uma saída política para o conflito pode ser difícil caso as lideranças mais duras do Irã permaneçam firmemente instaladas no poder.
Autoridades israelenses também reconheceram, em conversas reservadas, que não há garantia de que a campanha militar resulte na queda do regime.
Possibilidade de ofensiva terrestre
Segundo uma fonte familiarizada com as discussões estratégicas, a derrubada do governo iraniano provavelmente exigiria uma ofensiva terrestre.
Esse tipo de operação poderia abrir espaço para protestos internos contra o governo, algo que atualmente é considerado pouco provável devido ao forte aparato de segurança do país.
O governo americano não descartou completamente a possibilidade de enviar tropas para o Irã, embora nenhuma decisão tenha sido anunciada publicamente.
Limitações das milícias curdas
Nos últimos dias também surgiu a possibilidade de grupos curdos iranianos tentarem pressionar o regime a partir da região do Curdistão.
Milícias curdas baseadas no norte do Iraque chegaram a discutir com autoridades americanas a possibilidade de atacar forças de segurança iranianas no oeste do país.
Abdullah Mohtadi, líder do Partido Komala do Curdistão Iraniano, afirmou que milhares de jovens estariam dispostos a pegar em armas contra o governo caso recebam apoio dos Estados Unidos.
No entanto, avaliações recentes da inteligência americana colocam em dúvida a capacidade desses grupos de sustentar um confronto militar.
Segundo duas fontes que tiveram acesso aos relatórios, as milícias curdas não possuem armamento nem efetivo suficientes para desafiar as forças de segurança iranianas.
Um cenário ainda incerto
Apesar das análises atuais apontarem estabilidade política, autoridades ressaltam que a situação permanece dinâmica.
Conflitos prolongados, pressões econômicas e disputas internas podem alterar rapidamente o cenário dentro do Irã.
Por enquanto, no entanto, as avaliações da inteligência americana indicam que o regime continua exercendo controle sobre o país — mesmo após uma das maiores campanhas militares contra o Irã nas últimas décadas.
[ Fonte: CNN Brasil ]