Na era digital, as redes sociais deixaram de ser apenas um passatempo e se tornaram a principal lente através da qual muitos jovens enxergam o mundo. Mas, por trás dos vídeos virais e memes divertidos, há uma transformação silenciosa em curso. Este artigo investiga como esses ambientes digitais estão influenciando atitudes, crenças e, possivelmente, o futuro da sociedade democrática.
A confiança saiu dos jornais e foi parar nas mãos dos algoritmos
Nos últimos anos, os jovens mudaram radicalmente de fontes de informação. Em vez de jornais e telejornais, preferem redes como TikTok, Instagram e YouTube. Mais de 60% dos adolescentes espanhóis com mais de 14 anos se informam nessas plataformas — e apenas 15% confiam em jornalistas.
Esse afastamento dos meios tradicionais está ligado a uma crescente desconfiança. O resultado? Algoritmos que priorizam viralização, não verdade, se tornam os novos formadores de opinião. Nesse cenário, fatos bem apurados perdem espaço para manchetes emocionais, teorias conspiratórias e discursos de ódio com forte apelo emocional.

Estereótipos, ódio e desinformação: o impacto invisível
As redes sociais também educam — mesmo que de forma não intencional. Pesquisas recentes revelam o aumento de conteúdos machistas, racistas e homofóbicos voltados especialmente para o público jovem. Um levantamento do Centro de Pesquisas Sociológicas da Espanha mostra que 51% dos homens entre 16 e 24 anos acreditam que “a igualdade foi longe demais” e se sentem discriminados.
Apenas 35% da geração Z masculina se identifica como feminista. Pior: 1 em cada 4 jovens adultos na Espanha acredita que uma ditadura pode ser melhor que uma democracia. Esses dados não são estatísticas aleatórias — são sinais de uma crise de valores alimentada pela lógica de plataformas que premiam o escândalo e a polêmica.
Como recuperar o espaço do debate saudável?
Combater desinformação de dentro das próprias redes tem se mostrado ineficaz. Talvez a saída esteja em criar modelos novos. Um exemplo: em 2020, a Austrália obrigou plataformas a pagar por conteúdos jornalísticos, o que, apesar da resistência do Facebook, ajudou a abrir novas alternativas de acesso à informação confiável.
Modelos de assinatura para conteúdo verificado, parecidos com serviços de streaming, podem ser um caminho. Mas para isso é necessário mostrar aos jovens que informação de qualidade tem valor — e que o custo da desinformação é alto: a erosão da democracia.