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Tecnologia

Likes, ódio e desinformação: o preço invisível que a geração Z está pagando

Muito além do entretenimento, plataformas como TikTok e Instagram estão reconfigurando a forma como os jovens pensam, se informam e constroem seus valores. Entre discursos radicais e desinformação, a democracia pode estar perdendo terreno para os algoritmos invisíveis. Será que ainda há como retomar o controle do debate público?
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Tempo de leitura: 2 minutos

Na era digital, as redes sociais deixaram de ser apenas um passatempo e se tornaram a principal lente através da qual muitos jovens enxergam o mundo. Mas, por trás dos vídeos virais e memes divertidos, há uma transformação silenciosa em curso. Este artigo investiga como esses ambientes digitais estão influenciando atitudes, crenças e, possivelmente, o futuro da sociedade democrática.

A confiança saiu dos jornais e foi parar nas mãos dos algoritmos

Nos últimos anos, os jovens mudaram radicalmente de fontes de informação. Em vez de jornais e telejornais, preferem redes como TikTok, Instagram e YouTube. Mais de 60% dos adolescentes espanhóis com mais de 14 anos se informam nessas plataformas — e apenas 15% confiam em jornalistas.

Esse afastamento dos meios tradicionais está ligado a uma crescente desconfiança. O resultado? Algoritmos que priorizam viralização, não verdade, se tornam os novos formadores de opinião. Nesse cenário, fatos bem apurados perdem espaço para manchetes emocionais, teorias conspiratórias e discursos de ódio com forte apelo emocional.

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© Fauxels – Pexels

Estereótipos, ódio e desinformação: o impacto invisível

As redes sociais também educam — mesmo que de forma não intencional. Pesquisas recentes revelam o aumento de conteúdos machistas, racistas e homofóbicos voltados especialmente para o público jovem. Um levantamento do Centro de Pesquisas Sociológicas da Espanha mostra que 51% dos homens entre 16 e 24 anos acreditam que “a igualdade foi longe demais” e se sentem discriminados.

Apenas 35% da geração Z masculina se identifica como feminista. Pior: 1 em cada 4 jovens adultos na Espanha acredita que uma ditadura pode ser melhor que uma democracia. Esses dados não são estatísticas aleatórias — são sinais de uma crise de valores alimentada pela lógica de plataformas que premiam o escândalo e a polêmica.

Como recuperar o espaço do debate saudável?

Combater desinformação de dentro das próprias redes tem se mostrado ineficaz. Talvez a saída esteja em criar modelos novos. Um exemplo: em 2020, a Austrália obrigou plataformas a pagar por conteúdos jornalísticos, o que, apesar da resistência do Facebook, ajudou a abrir novas alternativas de acesso à informação confiável.

Modelos de assinatura para conteúdo verificado, parecidos com serviços de streaming, podem ser um caminho. Mas para isso é necessário mostrar aos jovens que informação de qualidade tem valor — e que o custo da desinformação é alto: a erosão da democracia.

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