Há 3,3 milhões de anos, os ancestrais do Homo sapiens começaram a produzir ferramentas de pedra, um marco crucial na evolução humana. Agora, cientistas registraram um comportamento semelhante em macacos-prego em Montes Claros, Minas Gerais. O estudo, publicado na revista PNAS, indica que esses primatas utilizam pedras para quebrar nozes de forma semelhante ao uso inicial de ferramentas por hominídeos.
Como os macacos-prego utilizam ferramentas de pedra?
Os macacos-prego-de-peito-amarelo da Fazenda Matos demonstraram habilidades impressionantes ao manipular ferramentas:
- Eles quebram nozes em posição bípede ereta, segurando uma pedra com ambas as mãos;
- Levantam a pedra acima da cabeça e a arremessam para baixo com força;
- Alguns chegam a saltar levemente durante o movimento, possivelmente para aumentar o impacto.
Essa observação revela que o uso de ferramentas nesses primatas pode ter um papel mais sofisticado do que se imaginava, indo além da simples escolha de pedras para manipulação.
Comparação com outras espécies de primatas
Os pesquisadores compararam as ferramentas utilizadas pelos macacos brasileiros com as dos macacos-de-cauda-longa da Tailândia. A análise revelou que esse comportamento ocorre em diferentes espécies de primatas, apesar da separação evolutiva de milhões de anos. Segundo os cientistas, isso sugere que a produção acidental de lascas afiadas pode ser uma característica universal entre primatas que usam ferramentas de pedra.
Até então, quatro espécies de primatas eram conhecidas por usar ferramentas de pedra, mas esta é a primeira vez que se observa um macaco reaproveitando uma ferramenta de pedra em vez de apenas selecionar objetos aleatórios. Esse comportamento só havia sido registrado antes em chimpanzés e hominídeos.
Implicações para o estudo da evolução
A descoberta abre novas perspectivas sobre a evolução do uso de ferramentas entre primatas. A pesquisa foi conduzida por Tomos Proffitt e Lydia Luncz, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em colaboração com os brasileiros Paula Medeiros e Waldney Martins, da Universidade Estadual de Montes Claros. Esses achados ajudam a entender melhor a trajetória evolutiva do uso de ferramentas e seus impactos na cognição animal e na adaptação ao ambiente.
[Fonte: Olhar Digital]