Desde sua eleição como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo, em 2007, Machu Picchu se consolidou como motor do turismo peruano e orgulho cultural. No entanto, quase duas décadas depois, a cidadela inca enfrenta um momento delicado: advertências da organização responsável pela lista apontam que o excesso de visitantes e as tensões sociais podem comprometer sua permanência nesse seleto grupo. A questão central é equilibrar a preservação histórica com a dependência econômica da região.
A ameaça de perder um título valioso
Ser coroada como Maravilha em 2007, após uma votação que mobilizou mais de 100 milhões de pessoas, fez disparar o fluxo de turistas. Hoje, Machu Picchu recebe em média 4.500 visitantes por dia — cerca de 1,5 milhão por ano —, números que se aproximam dos registrados antes da pandemia.
Esse sucesso, porém, tem seu preço. A organização New7Wonders alertou sobre “pressão turística excessiva, conflitos sociais, transporte precário e tarifas elevadas”. Caso não sejam corrigidos, esses fatores poderiam manchar o prestígio global do monumento.
Impacto econômico e social
O título de Maravilha impulsionou fortemente o turismo no Peru, gerando receitas milionárias para Cusco e arredores. Porém, a saturação de acessos e as irregularidades na venda de ingressos despertaram críticas crescentes.
Protestos recentes, que paralisaram trens e obrigaram a evacuação de mais de 2.000 turistas, expuseram o atrito entre comunidades locais e concessionárias de transporte. As manifestações, marcadas por confrontos com a polícia e feridos, escancararam a fragilidade da governança em torno do sítio arqueológico.
🇵🇪 | La organización ‘New 7 Wonders’ advierte a Perú que Machu Picchu puede perder el título de ‘Nueva Maravilla del Mundo’.
La ciudadela inca de Machu Picchu, en el sur de Perú, puede perder su título de ‘Nueva Maravilla del Mundo’ si se mantienen problemas como la alta… pic.twitter.com/W93Rr1oPX3
— Alerta Mundial (@AlertaMundoNews) September 15, 2025
Divergência de autoridades
Enquanto a New7Wonders aponta para a possível retirada do título, o Ministério da Cultura do Peru insiste que apenas a Unesco pode deliberar sobre o status de Machu Picchu como Patrimônio Mundial da Humanidade, título que mantém desde 1983.
Na última reunião do Comitê de Patrimônio Mundial, inclusive, foram destacados avanços na conservação e na gestão do local. Ainda assim, os alertas internacionais funcionam como lembrete de que a sustentabilidade do turismo segue sendo uma equação mal resolvida.
O dilema ainda em aberto
O caso de Machu Picchu levanta uma questão universal: como preservar um legado milenar diante da pressão do turismo em massa e das necessidades econômicas das comunidades?
Se o Peru não encontrar um modelo de gestão mais estável, o risco não será apenas simbólico. A eventual perda do título de Maravilha do Mundo representaria um duro golpe para a economia do turismo e para a reputação cultural do país em escala global.