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Ciência

Marte acaba de iniciar uma nova volta ao redor do Sol — e seu calendário revela um planeta muito diferente da Terra

Enquanto a Terra continua em 2026, Marte iniciou um novo ciclo astronômico. A mudança marca o começo de fenômenos impressionantes que cientistas acompanharão durante quase dois anos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine comemorar o Ano-Novo em um planeta onde cada ano dura quase o dobro do terrestre, as temperaturas podem despencar dezenas de graus em poucas horas e tempestades de poeira conseguem encobrir regiões gigantescas. Esse cenário não pertence à ficção científica. Marte acaba de iniciar oficialmente um novo ciclo ao redor do Sol, e a mudança representa muito mais do que uma simples data no calendário. Para os cientistas, começa uma nova oportunidade de acompanhar as transformações do planeta vermelho.

Marte entrou oficialmente em seu ano 39 — mas o calendário funciona de outra maneira

Enquanto os habitantes da Terra continuam contando os meses de 2026, Marte já começou um novo ano.

O marco aconteceu em 30 de setembro de 2026, às 08h16 UTC, quando o planeta iniciou oficialmente seu ano marciano 39.

Diferentemente do calendário terrestre, essa contagem não está relacionada a celebrações ou tradições culturais.

Trata-se de uma convenção científica utilizada para organizar observações astronômicas, acompanhar mudanças climáticas e comparar informações coletadas por missões espaciais.

O início de cada ano marciano coincide com o equinócio de primavera no hemisfério norte, momento em que o outono começa no hemisfério sul.

A numeração adotada atualmente pelos pesquisadores tem como referência o ano de 1955.

Curiosamente, o primeiro ciclo dessa contagem também ficou associado a uma gigantesca tempestade de poeira observada em 1956.

Mas existe uma diferença fundamental entre os calendários dos dois planetas: o tempo necessário para completar uma volta ao redor do Sol.

Um ano marciano dura quase dois anos terrestres

Marte leva aproximadamente 687 dias terrestres para completar sua órbita solar.

Isso corresponde a cerca de 668 sóis, como são chamados os dias marcianos.

Embora um ano seja muito mais longo, a duração de um dia em Marte é surpreendentemente parecida com a nossa.

Cada sol possui aproximadamente 24 horas e 39 minutos, apenas um pouco mais que um dia terrestre.

Essa diferença aparentemente pequena tem consequências importantes para a exploração espacial.

Equipes responsáveis por veículos como Perseverance e Curiosity precisam considerar os horários locais de Marte ao planejar determinadas operações científicas.

Além disso, o planeta apresenta quatro estações, assim como a Terra.

Entretanto, elas não possuem durações iguais.

Isso acontece porque a órbita marciana é mais elíptica, fazendo com que sua distância em relação ao Sol varie consideravelmente ao longo do ano.

Como consequência, Marte também muda de velocidade durante seu percurso orbital.

A inclinação de seu eixo completa esse cenário, provocando diferenças na quantidade de luz recebida por cada hemisfério.

E essas características ajudam a produzir alguns dos fenômenos meteorológicos mais impressionantes do Sistema Solar.

O novo ciclo trará tempestades capazes de envolver quase todo o planeta

Uma das mudanças mais importantes ocorre durante a segunda metade do ano marciano, quando Marte se aproxima do Sol.

Nesse período, o aquecimento da atmosfera favorece condições que podem intensificar a circulação dos ventos e levantar grandes quantidades de poeira.

Em determinadas situações, as tempestades crescem tanto que conseguem atingir proporções quase globais.

O fenômeno também pode se intensificar porque as partículas suspensas absorvem energia solar, aquecendo a atmosfera e influenciando sua circulação.

Para os cientistas, essas tempestades representam uma oportunidade de estudar o clima marciano.

Entretanto, também podem provocar dificuldades operacionais.

A poeira reduz a quantidade de luz disponível para equipamentos alimentados por painéis solares, interfere em observações e modifica as condições térmicas próximas à superfície.

As temperaturas, por sinal, representam outro grande desafio.

Em determinadas regiões, o ar pode se aproximar de 0 °C durante o dia e cair para cerca de -60 °C à noite.

No inverno, os valores noturnos podem chegar a aproximadamente -110 °C.

Essas oscilações acontecem porque a atmosfera marciana é extremamente fina e retém muito menos calor do que a terrestre.

Uma nuvem gigantesca de 1.800 quilômetros também pode voltar a aparecer

Entre os fenômenos mais curiosos de Marte está a chamada Nuvem Alongada de Arsia Mons.

Essa formação atmosférica aparece sazonalmente nas proximidades do gigantesco vulcão Arsia Mons e pode atingir aproximadamente 1.800 quilômetros de extensão.

Apesar de sua localização, a nuvem não é produzida por atividade vulcânica.

Ela surge quando ventos encontram as encostas do vulcão, forçando o ar a subir.

Durante a ascensão, o ar esfria, permitindo a condensação do vapor de água e a formação de cristais de gelo.

O resultado é uma nuvem extremamente alongada, capaz de crescer e desaparecer em poucas horas.

Sua reaparição está relacionada às condições atmosféricas de determinadas épocas do ano marciano.

O que os cientistas esperam observar durante o ano 39?

O novo ciclo oferece uma oportunidade de acompanhar novamente a evolução das estações, a circulação atmosférica e as mudanças na superfície do planeta.

Durante aproximadamente 687 dias terrestres, veículos exploradores e sondas orbitais poderão registrar informações sobre temperaturas, ventos, nuvens e tempestades.

Esses dados ajudam os pesquisadores a compreender melhor como funciona o clima de Marte e como ele varia de um ano para outro.

Também são fundamentais para planejar futuras missões robóticas e, eventualmente, operações humanas no planeta.

O início do ano marciano 39 não significa que uma transformação extraordinária acontecerá de repente.

Mas marca o começo de mais um ciclo de mudanças que ainda guardam muitas perguntas para a ciência.

Enquanto a Terra avança em seu calendário, Marte acaba de iniciar uma nova volta ao redor do Sol — e cada dia desse percurso poderá revelar mais sobre o planeta que a humanidade pretende explorar.

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