A Meta Platforms, empresa-mãe do Facebook, passou de tentar conectar humanos para se concentrar em construir versões robóticas deles. De acordo com um relatório da Bloomberg, a Meta planeja investir recursos em um novo projeto para desenvolver robôs humanoides movidos por inteligência artificial.
Segundo o relatório, a Meta pretende iniciar o projeto construindo um robô capaz de realizar tarefas domésticas. A longo prazo, no entanto, a empresa parece mais interessada no setor de software do que no de hardware, focando no desenvolvimento da IA que alimentará essas máquinas. Basicamente, a Meta quer criar os “cérebros” e deixar os “corpos” para empresas de robótica. Atualmente, a empresa não tem planos de construir seu próprio robô com a marca Meta, segundo a Bloomberg, e já iniciou conversas com empresas como Unitree Robotics e Figure AI.
O esforço será liderado por Marc Whitten, que anteriormente era CEO da empresa de carros autônomos Cruise, mas renunciou ao cargo neste mês após a General Motors, controladora da Cruise, decidir sair do negócio de robotáxis.
A equipe de Whitten ficará sob o comando da divisão Reality Labs da Meta, que recentemente teve um sucesso modesto com os óculos inteligentes Meta Ray-Ban, vendendo um milhão de unidades no ano passado. Antes disso, o departamento ficou mais conhecido por gastar 50 bilhões de dólares ao longo de quatro anos tentando tornar o Metaverso uma realidade. Com esse investimento, conseguiram dar pernas para os avatares de realidade virtual, mas não avançaram muito além disso.
Quando ficou claro que a inteligência artificial se tornaria uma tendência importante, a Meta direcionou cada vez mais sua divisão Reality Labs para essa área. Afinal, se todo mundo está queimando dinheiro nisso, ninguém percebe quem está queimando mais. A empresa acredita ter uma base sólida de dados obtidos por meio de suas experiências com realidade virtual (VR) e aumentada (AR) para desenvolver a IA para robôs humanoides. Afinal, há anos a Meta coleta dados sobre como os humanos enxergam e interagem com o mundo através de seus dispositivos.
No ano passado, a empresa anunciou que começaria a coletar dados “anonimizados” de seus headsets Oculus, incluindo informações sobre “movimentos de mãos, corpo e olhos” e “ambientes físicos”. Além disso, qualquer foto ou vídeo capturado com os óculos Meta Ray-Ban é utilizado para treinar ainda mais os sistemas de inteligência artificial da empresa.
Agora, a Meta tentará transformar todos esses dados na base para um software capaz de alimentar robôs humanoides. A expectativa é que esses robôs ainda levem alguns anos para chegar ao mercado, e ainda mais tempo para que o software desenvolvido pela Meta se torne a base de IA usada pelas empresas de robótica. Mas se há alguém que entende de agir como humano sem realmente ser um, esse alguém é Mark Zuckerberg.