O consumo de bebidas adulteradas com metanol se tornou uma emergência de saúde pública em São Paulo. Desde setembro, foram registrados 37 casos de intoxicação, incluindo mortes confirmadas e suspeitas. Em resposta, a Polícia Federal e o Ministério da Agricultura iniciaram operações em indústrias e comércios para investigar a adulteração de bebidas e garantir a segurança da população.
Operação conjunta da PF e do Mapa
Na manhã desta quinta-feira (2/10), a Polícia Federal (PF) e o Ministério da Agricultura (Mapa) realizaram fiscalizações em indústrias de bebidas nas regiões de Sorocaba e Grande São Paulo. O objetivo é verificar indícios de adulteração e uso de produtos químicos perigosos, como o metanol, que pode causar danos graves à saúde.
Durante a ação, foram coletadas amostras de bebidas suspeitas para análise técnica. A fiscalização pretende avaliar a conformidade dos insumos, identificar componentes proibidos ou em excesso e apurar autoria, circunstâncias e extensão das irregularidades.
A resposta do governo federal
Esta é a primeira operação federal desde que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou a abertura de inquérito da PF em Brasília. O governo federal mobilizou esforços nacionais para investigar a participação de facções criminosas na adulteração de bebidas, destacando a gravidade do caso.
Medidas do governo estadual
Paralelamente, o governo de São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas, criou um comitê especial para enfrentar a intoxicação por bebidas adulteradas. Até o momento, seis estabelecimentos foram interditados, uma distribuidora teve sua inscrição suspensa, 178 mil garrafas de bebidas foram apreendidas e duas pessoas foram presas.
Os comércios interditados incluem quatro bares e duas distribuidoras, localizados nos bairros Bela Vista, Itaim Bibi, Jardins e Mooca, na capital, e nas cidades de São Bernardo do Campo e Barueri, na Grande São Paulo.
Casos de intoxicação e mortes
De acordo com o último balanço da Secretaria da Saúde de São Paulo, foram registrados 37 casos de intoxicação desde setembro: 27 suspeitos e 10 confirmados. A pasta também atualizou o número de mortes para seis — cinco sob investigação e uma confirmada.
As intoxicações por metanol podem causar sérios danos à saúde, incluindo problemas neurológicos e cegueira. O tratamento pode incluir hemodiálise, administração de etanol puro e, em casos disponíveis, o uso de fomepizol, antídoto atualmente em falta no Brasil.
A urgência da fiscalização
A operação conjunta e as medidas estaduais visam interromper imediatamente a circulação de bebidas adulteradas e proteger a população. A colaboração entre órgãos federais, estaduais e municipais é essencial para prevenir novos casos, identificar os responsáveis e controlar a comercialização irregular de produtos que representam risco à saúde pública.
Fonte: Metrópoles