Depois de transformar histórias de Stephen King e clássicos literários em alguns dos projetos de terror mais comentados dos últimos anos, Mike Flanagan assumiu uma missão especialmente complicada: entrar no universo de um filme considerado praticamente intocável. Agora sabemos como será sua versão de O Exorcista. O primeiro material de The Exorcist: Martyrs revela Scarlett Johansson investigando crimes brutais enquanto algo aparentemente sobrenatural começa a atravessar seu caminho.
O novo Exorcista finalmente ganhou um nome
O título oficial é The Exorcist: Martyrs, e a estreia nos cinemas americanos está marcada para 12 de março de 2027. Mike Flanagan escreve e dirige o longa, além de atuar como produtor ao lado de Jason Blum e David Robinson.
O projeto não será uma continuação de O Exorcista: O Devoto, lançado em 2023. A ideia é iniciar uma nova abordagem dentro do universo inaugurado pelo clássico de William Friedkin em 1973, sem depender diretamente da tentativa anterior de revitalizar a franquia.
Isso dá a Flanagan liberdade considerável.
Conhecido por A Maldição da Residência Hill, Missa da Meia-Noite, Doutor Sono e Jogo Perigoso, o cineasta construiu sua carreira utilizando o sobrenatural para explorar temas como luto, culpa, fé e trauma.
Desta vez, a pergunta central parece ser ainda mais ampla: de onde vem o mal?
Scarlett Johansson investiga assassinatos inspirados em mártires

Scarlett Johansson interpreta Julie Miller, detetive de homicídios da polícia de Nova York e mãe de Max, um garoto de 12 anos.
A investigação coloca Julie no caminho de Father Sunday, um assassino interpretado por John Leguizamo. Os crimes estão ligados a formas de sofrimento associadas a mártires religiosos, adicionando uma dimensão ritualística à história.
A situação fica ainda mais estranha quando a execução do criminoso não acontece como deveria.
É nesse momento que entram dois sacerdotes interpretados por Chiwetel Ejiofor e Laurence Fishburne. Sasha Calle também integra o elenco como uma detetive ligada ao caso.
O primeiro olhar publicado pela Esquire mostra Johansson caracterizada como Julie e revela que a investigação começa a colocar em dúvida uma explicação puramente humana para aquilo que está acontecendo.
A proposta é aproximar o horror policial de uma ameaça sobrenatural.
Flanagan quer discutir algo maior que uma possessão
A premissa também indica que o diretor não pretende simplesmente repetir a estrutura do filme de 1973.
Flanagan explicou à Esquire que uma das questões centrais do filme é o problema do mal: como compreender atrocidades tão extremas que parecem ultrapassar aquilo que consideramos humanamente possível?
É uma ideia particularmente adequada ao universo de O Exorcista.
A obra original utilizava a possessão demoníaca para colocar fé, dúvida e racionalidade em conflito. A nova história parece transportar esse dilema para uma investigação criminal contemporânea.
Julie está acostumada a procurar responsáveis humanos para crimes reais. O problema surge quando as evidências começam a apontar para algo que suas ferramentas profissionais talvez não consigam explicar.
Essa tensão entre investigação racional e horror religioso pode acabar sendo o elemento que diferencia Martyrs das outras continuações da franquia.
O elenco reúne vários rostos conhecidos do terror
Além de Johansson, Leguizamo, Ejiofor, Fishburne e Calle, o projeto reúne um grupo extenso de atores.
Diane Lane também integra o elenco, assim como vários colaboradores recorrentes de Flanagan, incluindo Carla Gugino, Rahul Kohli, Kate Siegel, Samantha Sloyan, Hamish Linklater e Robert Longstreet.
Para quem acompanha o trabalho do diretor, muitos desses nomes são imediatamente reconhecíveis.
Flanagan costuma trabalhar repetidamente com o mesmo grupo de intérpretes, algo que se tornou uma característica de produções como A Maldição da Residência Hill, A Queda da Casa de Usher e Missa da Meia-Noite.
Mas Scarlett Johansson representa uma novidade importante.
A atriz assume aqui um papel central em uma franquia de terror sobrenatural depois de décadas associada principalmente a dramas, ficção científica e grandes produções de ação.
Flanagan prometeu seu filme mais assustador
As expectativas também aumentaram porque o próprio diretor estabeleceu uma meta ambiciosa.
Flanagan já afirmou que pretende fazer o filme mais assustador de sua carreira e, ao mesmo tempo, criar algo que ainda não tenha sido explorado pela franquia. Sua intenção é respeitar aquilo que veio antes sem construir a nova produção exclusivamente sobre nostalgia.
É uma tarefa complicada.
O Exorcista permanece como uma referência cultural mais de cinco décadas depois de sua estreia, enquanto várias tentativas posteriores de expandir a história tiveram recepções bastante diferentes.
A Universal chegou a investir cerca de US$ 400 milhões em 2021 pelos direitos de uma nova trilogia ligada à franquia, mas os planos mudaram depois de O Exorcista: O Devoto.
Agora, Flanagan recebeu a oportunidade de seguir outro caminho.
E os primeiros detalhes indicam que sua estratégia não será tentar reproduzir Regan, a escada de Georgetown ou outros elementos icônicos simplesmente para despertar nostalgia.
Se The Exorcist: Martyrs cumprir a promessa sugerida por seu primeiro olhar, a pergunta desta vez pode ser ainda mais desconfortável: quando um crime parece monstruoso demais para ter sido cometido por uma pessoa, estamos apenas tentando explicar a crueldade humana — ou existe alguma coisa muito pior esperando do outro lado?