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Ciência

Mudança climática: impactos nos oceanos podem durar milênios, alerta ONU

Aquecimento dos oceanos e derretimento das geleiras atingiram níveis alarmantes, segundo relatório da Organização Meteorológica Mundial. Especialistas alertam que os danos podem ser irreversíveis e afetar gerações futuras.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O aumento recorde das temperaturas globais em 2024 está acelerando a crise climática e trazendo impactos que podem persistir por séculos. Segundo um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o aquecimento dos oceanos e a elevação do nível do mar podem ser irreversíveis, afetando ecossistemas e sociedades ao redor do mundo. Além disso, mudanças no pH oceânico e no derretimento das geleiras representam desafios sem precedentes.

Recordes de temperatura e suas consequências

Em 2024, as temperaturas globais ultrapassaram em 1,55°C os níveis pré-industriais, estabelecendo um novo recorde anual e superando o recorde anterior de 2023. Esse aquecimento acelerado está ligado à intensificação do efeito estufa, causado principalmente pela alta concentração de dióxido de carbono (CO₂) e outros gases poluentes na atmosfera.

Esse aumento não só impulsionou a perda de geleiras e do gelo marinho, como também elevou o nível dos oceanos e intensificou eventos climáticos extremos, como secas, inundações e incêndios florestais. O impacto já é sentido em diferentes partes do mundo, onde milhões de pessoas enfrentam escassez de alimentos e deslocamentos forçados devido a desastres naturais.

Aquecimento dos oceanos e acidificação

Os oceanos desempenham um papel fundamental na regulação do clima global, absorvendo grande parte do calor gerado pelo aumento da temperatura terrestre. No entanto, esse processo tem um custo alto: o calor acumulado nos oceanos atingiu níveis recordes, intensificando tempestades e alterando os ecossistemas marinhos.

Além disso, a absorção contínua de CO₂ pelos oceanos está elevando a acidez da água, colocando em risco recifes de corais e a biodiversidade marinha. Segundo a ONU, a acidificação das águas profundas é irreversível em escalas de tempo que vão de séculos a milênios, afetando cadeias alimentares e espécies essenciais para o equilíbrio ambiental.

Elevação do nível do mar e derretimento das geleiras

As geleiras e calotas polares da Antártida e do Ártico continuam derretendo em ritmo acelerado. Segundo a OMM, de 2015 a 2024, o nível do mar subiu cerca de 4,7 mm por ano, quase o dobro da taxa observada entre 1993 e 2002. Esse aumento tem impacto direto sobre comunidades costeiras, que enfrentam erosão, inundações e perdas territoriais.

Kennedy, um dos especialistas envolvidos no estudo, destacou que a persistência dessas mudanças terá consequências severas para as próximas gerações. Ele alertou que os impactos do derretimento do gelo polar vão muito além do nível do mar, influenciando correntes oceânicas e padrões climáticos globais.

Possibilidade de mudanças irreversíveis

Mesmo que as emissões de gases de efeito estufa sejam reduzidas drasticamente, os efeitos do aquecimento global nos oceanos continuarão a ser sentidos por séculos. Modelos climáticos indicam que a temperatura oceânica pode continuar subindo até o final do século XXI, independentemente das políticas ambientais adotadas.

O relatório da OMM também sugere que fatores naturais, como mudanças no ciclo solar e erupções vulcânicas, podem ter contribuído para o aumento da temperatura global em 2024. No entanto, a principal causa segue sendo a atividade humana, especialmente o uso de combustíveis fósseis e o desmatamento.

O futuro do planeta depende de ações imediatas

O Acordo de Paris estabeleceu um limite de 1,5°C para o aumento da temperatura global, mas os cientistas alertam que esse limite pode ser ultrapassado em breve se as emissões não forem controladas. Estimativas indicam que o aumento médio de longo prazo já está entre 1,34°C e 1,41°C, muito próximo do limiar estabelecido para evitar os piores cenários da crise climática.

As consequências do aquecimento global não se limitam aos oceanos e ao derretimento das geleiras. O aumento da temperatura impulsiona eventos climáticos extremos e ameaça a segurança alimentar, a biodiversidade e a estabilidade econômica de diversas regiões.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de ações urgentes para reduzir as emissões de carbono e adotar estratégias eficazes de adaptação. Sem mudanças significativas, os impactos ambientais e sociais da crise climática podem se tornar ainda mais devastadores nas próximas décadas.

[Fonte: G1 – Globo]

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